
É sintomático. Apenas 14 pilotos portugueses marcam presença no Vodafone Rally de Portugal na prova a contar para o Campeonato de Portugal de Ralis de 2026.
Não só não serão protagonistas desta prova como poucos são aqueles que vão a estrada com o objetivo de os ver passar, até porque passam a meio da tabela, mas também porque o foco estará obviamente nos pilotos mundialistas.
Os pilotos concorrentes ao CPR vão enfrentam ainda outro problema. Vão passar nos troços já com eles muito deteriorados e, como tal, nunca poderão fazer uma prova “sprint” ao ataque, mas sim uma prova de gestão e sobrevivência, até porque a partir do momento em que deixam a Exponor só no final do rali lá voltam, o mesmo é dizer que as assistências técnicas são muito limitadas.
É um contexto distinto e que não se repete mais no CPR, mas só o facto de apenas 14 pilotos estarem presentes, mesmo sabendo-se que três deles provavelmente não farão muitas mais provas este ano no CPR, não deixa de ser certamente um cenário desolador para a nossa maior competição de estrada.
Desportivamente é o rali da sobrevivência, mesmo para pilotos mais experimentados como Armindo Arújo, José Pedro Fontes e Ricardo Teodósio. A gestão desportiva ao longo do rali será crucial, assim como é crucial a gestão dos pneus. Evitar furos será com certeza a regra número um para qualquer dos pilotos pretenda alcançar um resultado de relevo, como também é importante gerir a prova troço a troço, isto é, o andamento de cada um dos pilotos vai ser sempre gerido em função dos resultados (sobretudo dos adversários) a cada especial.
Quem poderá ganhar? Logicamente que pela experiência e pela gestão de corrida, em que é um expert, Armindo Araújo pode levar vantagem pela sua anterior presença mundialista e pelos muitos quilómetros que tem nesta prova. Não sendo um rali de performance pura, será mais difícil perceber em que se posição se colocará Rúben Rodrigues, atual líder do CPR, mas a sua pouca experiência no rali pode ser um problema adicional para o açoriano.
Um dos mais motivados será com toda a certeza Pedro Almeida. Venceu em 2025 esta prova para o CPR (a sua primeira vitória), demonstrando que pode ser rápido e não cometer erros, aliás, como o fez na prova de abertura em Amarante. É certamente também um dos candidatos à vitória.
Os dois jovens da Hyundai, Hugo Lopes e Gonçalo Henriques, têm pela frente um enorme desafio. O resultado menos positivo na prova de abertura, faz com que seja imperioso terminar este rali, mais do que pensar no resultado. Sabe-se que o Hyundai poderá ser o mais frágil de todos os Rally2 (historicamente é assim), pelo que a gestão de prova será essencial para qualquer destes pilotos… que ainda terão muitas provas pela frente para mostrar a sua rapidez.
No regresso da Lancia ao Rally de Portugal, José Pedro Fontes terá que acreditar acima de tudo na fiabilidade do seu novo carro. Já mostrou que é rápido e a nível internacional o Lancia já mostrou que pode também ser robusto, sendo duas armas que Fontes pode jogar para poder alcançar um lugar no pódio.
Já do lado de Ricardo Teodósio, o eternamente azarado nesta prova, vai ter mesmo que pensar em trocar a rapidez e a espetacularidade pela gestão de prova… isto no caso de querer chegar ao pódio. Até ao momento as duas prestações com o Citroen não foram famosas, mas pode ser mesmo na prova mais difícil que as coisas podem mudar para o algarvio.
Também Pedro Meireles pode jogar com a fiabilidade do Skoda para alcançar um bom resultado, depois da performance evidenciada no Terras D´Aboboreira. Experiência e conhecimento não lhe faltam nesta prova, pelo que um pódio seria excelente para o vimaranense.
Diogo Marujo tem aqui uma oportunidade única de ganhar mais ritmo e mais consistência, podendo aproveitar deslizes alheios para obter um bom resultado, enquanto Paulo Neto e Diogo Salvi vão querer certamente ser competitivos e chegar a resultados de relevo.



