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Rúben Rodrigues… num rali com muitos candidatos à vitória

RALLYE CASINOS DO ALGARVE 2026

O regresso do Campeonato de Portugal de Ralis aos pisos de terra promete um dos confrontos mais interessantes da temporada. Rúben Rodrigues chega ao Algarve com quatro vitórias e uma vantagem confortável na liderança do campeonato, mas terá pela frente adversários determinados a contrariar o seu domínio. Armindo Araújo quer regressar aos triunfos, Pedro Almeida precisa de recuperar pontos, Ricardo Teodósio corre em casa e a Hyundai procura voltar à discussão dos primeiros lugares.

O Rallye Casinos do Algarve, que se disputa nos dias 2 e 3 de outubro, reúne todos os ingredientes para proporcionar um grande espetáculo desportivo. Os rápidos e exigentes troços de terra algarvios, considerados dos melhores de Portugal, conjugam-se com uma lista de inscritos de grande qualidade, com cerca de duas dezenas de carros Rally2, regressos, estreias e vários pilotos em condições de discutir os lugares cimeiros.

Sétima prova do Campeonato de Portugal de Ralis, o evento organizado pelo Clube Automóvel do Algarve assinala também o início de uma fase particularmente importante na luta pelo título. Com três provas ainda por disputar, qualquer resultado poderá ter consequências significativas nas contas do campeonato.

Rúben Rodrigues entre a vitória e as contas do título

Quatro vitórias em seis provas e uma vantagem de 33 pontos sobre Pedro Almeida colocam Rúben Rodrigues numa posição privilegiada para conquistar o título nacional. O piloto açoriano, acompanhado por Rui Raimundo no Toyota GR Yaris Rally2, tem sido a referência da temporada e chega ao Algarve como principal candidato à vitória.

O Rallye Casinos do Algarve é uma prova que nunca venceu e onde também não tem grande historial. No entanto, a evolução demonstrada ao longo desta temporada e a confiança adquirida com os sucessivos triunfos colocam-no numa situação bastante diferente daquela que viveu em 2025, tendo ainda em conta que é na terra que se sente como “peixe na água”.

A questão estará em perceber até que ponto Rúben Rodrigues estará disposto a arriscar para conquistar mais uma vitória ou se optará por uma abordagem mais calculista, tendo em conta a vantagem de que dispõe no campeonato.

O piloto já deixou claro que é a lutar pela vitória que consegue manter os seus níveis de concentração e competitividade. Por isso, mesmo que a gestão dos pontos possa aconselhar alguma prudência, tudo indica que continuará a apresentar-se com a ambição que tem caracterizado a sua temporada.

Uma nova vitória no Algarve deixá-lo-ia ainda mais próximo da conquista do título nacional, podendo chegar às últimas duas provas com uma margem muito difícil de contrariar.

Armindo Araújo sem pressão e determinado a vencer

Depois do despiste no Rali da Água, que praticamente afastou Armindo Araújo da luta pelo campeonato, o piloto do Škoda Fabia RS Rally2 apresenta-se no Algarve com um objetivo muito claro: regressar às vitórias.

Sem a pressão das contas do título, Armindo Araújo e Luís Ramalho poderão atacar os rápidos troços algarvios sem grandes preocupações estratégicas. Apesar dos contratempos desta temporada, o piloto continua a ser um dos principais protagonistas do CPR e dispõe de andamento para discutir o triunfo.

“É uma prova exigente, com troços muito rápidos e onde queremos voltar a lutar pela vitória. Após o desfecho da última prova, não estamos em posição para pensarmos nas contas do título. Partimos para este rali sem essa pressão e vamos dar o máximo para tentar vencer”, afirmou Armindo Araújo.

Embora o título ainda seja matematicamente possível, a prioridade passou a ser a conquista de vitórias. E o Algarve poderá proporcionar-lhe uma oportunidade para contrariar o domínio de Rúben Rodrigues.

Pedro Almeida precisa de vencer

Pedro Almeida é, nesta fase da temporada, o principal adversário de Rúben Rodrigues na discussão do campeonato. O piloto da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal chega ao Algarve na segunda posição e sabe que precisa de recuperar pontos para manter vivas as suas aspirações.

Ao volante do Toyota GR Yaris Rally2, acompanhado por António Costa, Pedro Almeida já demonstrou que possui andamento para vencer em terra. O Algarve apresenta características que poderão favorecer o seu carro (igual ao de Rúben) e permitir-lhe entrar diretamente na luta pela vitória.

O Toyota venceu esta prova em 2025, então conduzido por Kris Meeke, pelo que a competitividade da máquina japonesa nestas classificativas não oferece grandes dúvidas. Contudo, Pedro Almeida enfrenta uma situação mais delicada do que os seus adversários: precisa de atacar para vencer, mas um eventual abandono poderia comprometer definitivamente as suas aspirações ao título.

Ricardo Teodósio joga em casa

Ricardo Teodósio é outro dos pilotos a ter especialmente em conta neste Rallye Casinos do Algarve. O piloto algarvio chega à prova da sua região depois de ter alcançado o segundo lugar no Rali da Água, o seu melhor resultado da temporada.

A adaptação ao Citroën C3 Rally2 tem vindo a evoluir e os rápidos troços algarvios, que conhece particularmente bem, poderão ajudá-lo a compensar algumas das limitações de competitividade que tem sentido ao longo do campeonato.

“É sempre muito especial correr no Algarve. É a nossa casa, vamos encontrar muitos amigos e muitas pessoas que nos apoiam ao longo de toda a época, por isso queremos fazer um bom rali e dar-lhes motivos para sorrir”, afirmou o piloto, que assume a intenção de entrar forte e lutar por um lugar no pódio.

Sem vencer há um par de temporadas, Ricardo Teodósio tem no Algarve uma oportunidade para voltar a discutir os primeiros lugares, beneficiando também do apoio do público da sua região.

Gonçalo Henriques e Hugo Lopes procuram resultados

Gonçalo Henriques regressa a uma prova onde protagonizou, em 2025, uma das suas melhores exibições no Campeonato de Portugal de Ralis. Na ocasião, foi o melhor português, terminando atrás dos dois pilotos estrangeiros Dani Sordo e Kris Meeke, e demonstrou grande competitividade nos exigentes troços algarvios.

Este ano, a situação é diferente. Depois de dois ralis consecutivos terminados com acidentes, o piloto do Hyundai i20 Rally2 precisa, antes de mais, de concluir a prova. Contudo, a competitividade demonstrada anteriormente no Algarve permite-lhe ambicionar um lugar entre os primeiros e, eventualmente, intrometer-se na luta pela vitória.

O seu companheiro de marca Hugo Lopes também procura recuperar a confiança depois do forte acidente sofrido no Rali da Água. Os pisos de terra são habitualmente favoráveis ao piloto de Viseu, que poderá voltar a apresentar-se entre os mais rápidos caso consiga encontrar desde cedo um bom ritmo competitivo.

Uma lista de inscritos que promete espetáculo

Para além dos principais candidatos à vitória, o Rallye Casinos do Algarve apresenta vários nomes capazes de surpreender. José Pedro Fontes, no Lancia Ypsilon Rally2, Pedro Meireles e Guilherme Meireles, ambos em Škoda, estão entre os pilotos que poderão discutir posições na frente.

Destaque também para Ernesto Cunha, que regressa ao campeonato com um novo Škoda Fabia RS Rally2, para a estreia de Luís Cidade em terra ao volante do Toyota GR Yaris Rally2 e para Ricardo Sousa, que terá a primeira experiência neste piso com o Škoda.

Guilherme Meireles chega particularmente motivado depois de ter conquistado o seu primeiro pódio absoluto no CPR, no Rali da Água.

A qualidade e a quantidade de carros Rally2 inscritos confirmam o interesse que os troços algarvios continuam a despertar entre os pilotos nacionais, antecipando uma luta intensa não apenas pela vitória, mas também pelos restantes lugares do pódio e pelas posições imediatamente seguintes.

Dois dias de competição e mais de 119 quilómetros cronometrados

O programa desportivo contempla oito especiais de classificação, num total de 119,47 quilómetros cronometrados. Na sexta-feira, 2 de outubro, disputam-se os troços de Lagos e Budens, seguindo-se a City Stage de Lagos, que não contará para a classificação final.

No sábado, os concorrentes enfrentarão duas passagens por Messines, Santana da Serra e São Marcos da Serra. Será precisamente a segunda passagem por São Marcos da Serra, com estatuto de Power Stage, que encerrará a competição.

Apesar da excelente qualidade dos troços, o desenho da prova não facilita a vida ao público que pretenda acompanhar vários concorrentes em diferentes classificativas. A realização de apenas duas especiais na primeira etapa e as distâncias entre as classificativas de sábado obrigam a uma escolha criteriosa dos locais de acompanhamento.

Ainda assim, estão reunidas as condições para um grande rali. Os troços são rápidos, seletivos e apreciados pelos pilotos, a lista de inscritos apresenta uma qualidade pouco habitual e os objetivos dos principais protagonistas são suficientemente distintos para proporcionar várias frentes de interesse.

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