
O Campeonato de Portugal de Ralis de 2026 vai ser decidido no Rallye Vidreiro Centro de Portugal, com Pedro Almeida e Rúben Rodrigues separados por uma margem mínima. O abandono do piloto açoriano no Rally 6 Cities North of Portugal, conjugado com o segundo lugar de Pedro Almeida, provocou uma reviravolta nas contas do campeonato. O piloto da Toyota passa a somar 139 pontos, contra os 125 de Rúben Rodrigues, mas, depois de considerados os descartes, a vantagem efetiva é de apenas dois pontos.
O Campeonato de Portugal de Ralis chega à última prova da temporada com tudo em aberto. Rúben Rodrigues, que liderou grande parte do campeonato e chegou a apresentar uma vantagem importante sobre a concorrência, viu a sua posição comprometida pelos abandonos consecutivos no Rallye Casinos do Algarve e no Rally 6 Cities North of Portugal.
Na prova nortenha, o piloto açoriano, acompanhado por Rui Raimundo, voltou a enfrentar problemas mecânicos, desta vez relacionados com a suspensão do Škoda Fabia RS Rally2, sendo obrigado a abandonar quando ainda lutava pelas primeiras posições entre os concorrentes do CPR.
Em sentido contrário, Pedro Almeida aproveitou os problemas do seu principal adversário para recuperar a desvantagem pontual. Depois de ter vencido no Algarve, o piloto da Toyota GAZOO Racing Caetano Portugal, navegado por António Costa, terminou na segunda posição do CPR no Rally 6 Cities, atrás de Armindo Araújo, somando 20 pontos importantes para as contas do campeonato.
Contudo, Pedro Almeida não conquistou qualquer ponto na Power Stage, o que acabou por limitar a vantagem com que chega à última prova.
Desta forma, o piloto da Toyota passou dos 119 para os 139 pontos acumulados, enquanto Rúben Rodrigues permaneceu com os 125 pontos que apresentava antes da penúltima jornada.
A diferença de 14 pontos pode sugerir alguma tranquilidade para Pedro Almeida, mas a realidade é bem diferente devido ao sistema de descartes previsto no regulamento.
Os descartes reduzem a vantagem para apenas dois pontos
De acordo com o regulamento desportivo do CPR, apenas são considerados os sete melhores resultados das oito provas pontuáveis para a classificação final.
No caso de Rúben Rodrigues, os abandonos consecutivos no Algarve e no Rally 6 Cities significam que poderá descartar um dos resultados a zero, mantendo os 125 pontos que já tinha conquistado. Assim, todos os pontos que conseguir no Rallye Vidreiro serão acrescentados à sua pontuação.
Pedro Almeida apresenta uma situação diferente. O piloto da Toyota tem agora 139 pontos acumulados, mas terá de descartar o seu pior resultado se conseguir no Vidreiro uma pontuação superior aos 12 pontos conquistados no Rali da Água, em Chaves.
Dessa forma, a sua pontuação de referência passa a ser de 127 pontos, contra os 125 de Rúben Rodrigues.
Na prática, Pedro Almeida chega ao Rallye Vidreiro com uma vantagem efetiva de apenas dois pontos, quando ainda estão em disputa 28 pontos, incluindo os três da Power Stage.
Pedro Almeida será campeão se vencer o Vidreiro
Apesar da reduzida diferença pontual, Pedro Almeida depende apenas de si próprio para conquistar o título nacional.
Se vencer o Rallye Vidreiro, somará pelo menos 25 pontos, atingindo os 152 pontos na classificação final, depois de aplicado o descarte.
Mesmo que Rúben Rodrigues termine em segundo lugar e conquiste os três pontos da Power Stage, não conseguirá ultrapassar Pedro Almeida, terminando com 148 pontos.
Contudo, se o piloto da Toyota não vencer, as contas tornam-se mais complexas, sobretudo se Rúben Rodrigues terminar à sua frente.
Rúben Rodrigues também depende de si próprio
Para Rúben Rodrigues, o caminho para o título passa igualmente pela vitória no Rallye Vidreiro.
Se vencer o rali e conquistar os três pontos da Power Stage, terminará o campeonato com 153 pontos, garantindo matematicamente o título, independentemente do resultado de Pedro Almeida.
Mesmo que o piloto da Toyota termine em segundo lugar e conquiste os dois pontos da Power Stage, não conseguirá mais do que 149 pontos.
Se Rúben Rodrigues vencer o Vidreiro, mas não somar qualquer ponto na Power Stage, chegará aos 150 pontos.
Nesse cenário, se Pedro Almeida terminar em segundo lugar e conquistar dois pontos na Power Stage, ficará com 149 pontos, entregando o título ao piloto açoriano por apenas um ponto.
Porém, se Pedro Almeida terminar em segundo e vencer a Power Stage, conquistando os três pontos extra, ambos terminarão empatados com 150 pontos, sendo necessário recorrer aos critérios de desempate regulamentares.
Ou seja, a Power Stage poderá ter uma importância determinante na atribuição do título, sobretudo se os dois candidatos ocuparem as primeiras posições da classificação do Rallye Vidreiro.
Armindo Araújo poderá voltar a interferir nas contas
Apesar de já não ter possibilidades matemáticas de conquistar o campeonato, Armindo Araújo poderá desempenhar um papel importante na decisão do título nacional.
O piloto de Santo Tirso, acompanhado por Luís Ramalho, demonstrou no Rally 6 Cities que continua a ser uma das principais referências do CPR, conquistando a vitória entre os concorrentes nacionais e os três pontos da Power Stage.
Se repetir esse desempenho no Rallye Vidreiro, poderá retirar pontos importantes aos dois candidatos, alterando significativamente as combinações possíveis para a conquista do campeonato.
O mesmo se aplica a outros pilotos, como José Pedro Fontes ou Ricardo Teodósio, cuja competitividade poderá influenciar a classificação final e, sobretudo, a distribuição dos pontos extra da Power Stage.
Esta circunstância poderá tornar ainda mais imprevisível uma decisão que já se apresenta extremamente equilibrada.
Tudo será decidido no Rallye Vidreiro
Depois de uma temporada marcada pelo domínio inicial de Rúben Rodrigues e pela recuperação de Pedro Almeida na fase final, o Campeonato de Portugal de Ralis de 2026 chega à derradeira prova, o Rallye Vidreiro Centro de Portugal, nos dias 20 e 21 de novembro, com uma diferença efetiva de apenas dois pontos entre os candidatos.
Pedro Almeida apresenta-se na liderança, mas Rúben Rodrigues continua com o título inteiramente ao seu alcance.
Ambos dependem apenas de si próprios: Pedro Almeida será campeão se vencer o rali, enquanto Rúben Rodrigues também garantirá o título se conseguir vencer a prova e a Power Stage.
Com 28 pontos ainda em disputa e uma diferença tão reduzida, a luta pelo Campeonato de Portugal de Ralis promete prolongar-se até aos últimos quilómetros da temporada.



