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É possível garantir uma avaliação uniforme entre diferentes provas regionais?

RELATÓRIOS FPAK REGIONAIS

O relatório utilizado pelos observadores da FPAK nos ralis dos Campeonatos Regionais e Promo coloca em evidência a dimensão e a complexidade da tarefa atribuída a quem acompanha e avalia a organização de uma prova.

Uma análise ao formulário de 2026 mostra que, dos 186 critérios classificados numa escala de 1 a 5, cerca de metade depende, em maior ou menor grau, da apreciação subjetiva do observador.

Na análise efetuada ao documento, 92 critérios, correspondentes a 49,5%, podem ser considerados objetivos, por estarem relacionados com factos verificáveis, cumprimento de prazos, existência de equipamentos, documentação ou conformidade com normas. Os restantes 94 critérios, ou 50,5%, contêm elementos de apreciação subjetiva ou conceitos cuja avaliação não está associada a uma métrica concreta.

Entre os critérios objetivos encontram-se, por exemplo, a publicação de documentos dentro dos prazos regulamentares, a existência de ambulâncias, a utilização das bandeiras exigidas, a conformidade das placas do rali ou a existência de determinados equipamentos de segurança.

Por outro lado, ao longo do relatório surgem repetidamente expressões como “adequado”, “eficácia”, “competência”, “rapidez”, “qualidade”, “funcionalidade”, “número suficiente” ou “capacidade de intervenção”. Nestes casos, o documento não estabelece necessariamente uma medida concreta que permita determinar de forma inequívoca onde termina, por exemplo, uma avaliação de nível 3 e começa uma avaliação de nível 4.

A própria FPAK assume essa margem de interpretação nas instruções que acompanham o relatório. O documento refere que a tabela de classificação pretende possibilitar aos observadores “uma relativa flexibilidade de avaliação” nos pontos que exigem apreciação ou comentário. O nível 3 é definido como o patamar standard, enquanto as classificações superiores ou inferiores obrigam o observador a justificar a sua avaliação.

A questão ganha ainda maior relevância pela quantidade de parâmetros que têm de ser observados durante uma única competição. O formulário distribui a avaliação por áreas tão diferentes como documentação, caderno de itinerário, plano de segurança, partida e chegada, viaturas de segurança, segurança dos espectadores, parques de assistência, reabastecimentos, verificações técnicas, centro operacional do rali, comunicação social, resultados, oficiais de prova, cronometragem, comunicações, promoção ou sustentabilidade ambiental.

Na prática, cabe ao observador acompanhar simultaneamente dezenas de aspetos espalhados por diferentes locais de uma prova, muitos deles ocorrendo em momentos coincidentes. Há critérios relativos ao funcionamento do Centro Operacional, outros às partidas e chegadas das provas especiais, parques de assistência, verificações técnicas, zonas de público ou dispositivos de segurança, entre muitos outros.

Essa dispersão torna particularmente exigente a verificação presencial e aprofundada de todos os parâmetros durante o decorrer de um rali. Acresce que alguns dos critérios não se limitam a confirmar se determinado procedimento existe, exigindo ao observador que avalie também a sua eficácia, competência, rapidez ou qualidade.

O próprio relatório determina que todos os pontos devem ser assinalados, mesmo quando determinada situação não ocorre, estabelecendo nesses casos a classificação standard de 3. Determina igualmente que qualquer classificação de 1, 2, 4 ou 5 deve ser devidamente justificada.

O modelo procura, desta forma, proporcionar à FPAK uma análise extensa sobre a qualidade organizativa das provas. Contudo, a combinação entre um número muito elevado de critérios, a dispersão física das situações a observar e o peso significativo de parâmetros sujeitos à interpretação individual coloca uma responsabilidade acrescida sobre o observador e levanta a questão de saber até que ponto é possível garantir uma avaliação uniforme entre diferentes provas e diferentes observadores.

Em breve falaremos dos relatórios do Campeonato de Portugal de Ralis.

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