
Volvidos cinco meses sobre a estreia no Campeonato Europeu de Ralis Históricos da FIA, o Historic Rally Fafe está de regresso (9/11 abril), mas agora em classificativas de terra e numa competição reformulada, cujo arranque terá como palco uma das catedrais dos ralis em Portugal. A pouco mais de três semanas da bandeirada de partida, o Demoporto – Clube de Desportos Motorizados do Porto, habitual parceiro da Câmara Municipal de Fafe, regista já 11 inscritos, deixando antever uma lista bem recheada de carros emblemáticos, entre os quais figuram, entre outros, o Fiat 131 Abarth, o Mercedes 500 SL ou o Porsche 911, e de pilotos de referência. E não deverá faltar, pelas indicações recebidas pela organização, o campeão em título, Jari-Matti Latvala, no Toyota Celica 4WD, apostado em repetir a vitória conquistada em 2025.
“Creio que a estrutura da prova será interessante e vai agradar aos pilotos, já que utiliza classificativas icónicas do WRC, como seria desejável. Foi necessário estender o rali para além do concelho de Fafe, de modo a cumprir a quilometragem regulamentar de ‘especiais’, e em Felgueiras os bem conhecidos Seixoso e Santa Quitéria, célebres na história do Mundial, voltam a ser protagonistas. De resto, procuramos, também, incluir outros clássicos mais antigos e mesmo o de S. Pedro é uma parte da Lameirinha. Claro que também houve o cuidado de diferenciar ao máximo, em termos estruturais, este rali do que organizaremos em outubro próximo e encerra o ERC”, elucidou Carlos Cruz, presidente do Demoporto e responsável pelo itinerário do Historic Rallye Fafe.
A grande novidade, em 2026, no Campeonato Europeu de Ralis Históricos da FIA (EHRC) é a divisão do calendário em duas competições: asfalto e terra. O organismo máximo do desporto automóvel entende que ao segmentar as provas em diferentes tipos de piso acrescenta valor e dinamiza o campeonato. Fafe tem a honra de iniciar a época de cinco ralis de terra do EHRC, antecedendo o Acrópole.
“Preferíamos que este rali fosse em asfalto, mas a FIA fez-nos saber, através do Demoporto, o seu interesse em que o mesmo decorresse nos troços de terra e nós anuímos. É um ano muito difícil, porque o mau tempo que se fez sentir em todo o país está a exigir um esforço grande à Câmara de Fafe na recuperação dos pavimentos, inclusive o das classificativas. Portanto, será um enorme desafio fazer o rali, por ser em terra. Os diversos eventos que acolhemos utilizam a totalidade dos troços do concelho, daí sermos forçados a recusar, ao contrário do que é habitual, a realização de testes. Não é má vontade, mas apenas uma forma de salvaguardar os diversos compromissos que já assumimos. O mau tempo trouxe-nos inúmeros transtornos, tal como a outras câmaras em diferentes regiões do país, e estou na expetativa de ver o que sucederá, a curto ou médio prazo, em relação às provas que estão calendarizadas. Preferíamos um rali em asfalto ou então misto, até porque também apostamos nos eventos em asfalto e este ano não teremos nenhum, mas, enfim, estamos sempre disponíveis para os desafios que o Demoporto e os promotores, internacionais ou nacionais, nos colocam. Vamos receber o primeiro rali da época de braços abertos, como é hábito, procurando fazer o nosso melhor neste quadro de grande exigência”, refere Parcídio Summavielle, vice-presidente da Câmara de Fafe.
Os efeitos da tempestade que assolou com maior incidência a região centro de Portugal nos últimos dias de janeiro também chegaram ao concelho de Fafe.
“Quando a GNR foi ao terreno com o Carlos Cruz para preparar o plano de segurança deste rali, teve que recorrer a percursos alternativos em dois ou três pontos do traçado. Isso sucedeu, até, na Lameirinha, um troço que muito dificilmente fica com o piso em mau estado. Como se não bastasse a intempérie, houve neve e as pessoas foram para lá brincar com os jeeps e motos… Portanto, será um desafio muito grande este ano montar uma prova tão cedo e em piso de terra. Aliás, as autarquias terão muita dificuldade em explicar às populações o porquê de estarem a reparar troços em terra nos quais pouca gente passa, quando há tanto para fazer nas estradas de asfalto, seja ao nível dos pisos, dos muros ou da sinalização. Felizmente, em Fafe há uma grande simpatia pelos ralis e é possível, neste enquadramento, continuar a fazer tais apostas. Contudo, não deixo de ficar curioso para ver o que sucederá em relação à qualidade dos troços nos próximos ralis, sobretudo nos que têm pisos de terra…”, concluiu aquele responsável autárquico.
O Historic Rally Fafe será também pontuável na Taça de Portugal de Clássicos, estando já garantida a participação de Pinto dos Santos, com a sua “lendária” Renault 4L, e igualmente no Campeonato Norte, cujos concorrentes apenas disputam as 6 classificativas de sábado (2ª etapa). É provável, neste último caso, que alguns pilotos e equipas do Campeonato de Portugal de Ralis aproveitem a oportunidade para preparar o arranque da época nos 67 quilómetros de “especiais” do último dia.
HISTORIC RALLY FAFE – PROGRAMA HORÁRIO
QUINTA-FEIRA (9 abril)
Shakedown no troço da Lameira (3,72 km) 14h00/18h00
SEXTA-FEIRA (10 abril)
Partida (Câmara Municipal de Fafe) 09h30
Parque de Assistência (Praça das Comunidades) 09h37/09h52
PEC 1 – Santa Quitéria 1 (9,10 km) 10h40
PEC 2 – S. Pedro 1 (7,62 km) 11h43
PEC 3 – Aboim/Luílhas 1 (17,85 km) 12h36
Reagrupamento (Feira Velha) 13h36/13h46
Parque de Assistência (Praça das Comunidades) 13h52/14h20
PEC 4 – Santa Quitéria 2 15h10
PEC 5 – S. Pedro 2 16h13
PEC 6 – Aboim/Luílhas 2 17h06
Parque de Assistência (Praça das Comunidades) 18h06/18h51
Parque Fechado (Feira Velha) 18h59
SÁBADO (11 abril)
Partida (Feira Velha) 09h30
Parque de Assistência (Praça das Comunidades) 09h37/09H52
PEC 7 – Seixoso 1 (9,97 km) 10h45
PEC 8 – Montim 1 (8,63 km) 11h38
PEC 9 – Lameirinha (14,9 km) 12h06
Reagrupamento (Feira Velha) 12h51/13h01
Parque de Assistência (Praça das Comunidades) 13h08/13h38
PEC 10 – Seixoso 2 14h31
PEC 11 – Montim 2 15h24
PEC 12 – Lameirinha 2 15h52
Parque Fechado (Praça das Comunidades) 16h37



