
O Rali da Madeira foi novamente uma grande festa com enorme repercussão local, quer ao nível de quem acompanha na estrada, quer entre os meios de comunicação social de âmbito local. Chamada de “Semana Santa”, o Rali da Madeira é de facto um evento excecional pela sua envolvência e particularidade de ser disputado numa região autónoma, num enquadramento que não se consegue repetir neste momento em parte nenhuma em Portugal. Infelizmente ao continente não chega um centésimo do que é esta semana do Rali da Madeira.
Voltar a fazer passar o rali no Chão da Lagoa foi uma excelente decisão da organização que teve impacto no número de pessoas que deixaram de ir a outros troços. Aliás o objetivo da organização era mesmo esse, concentrar os espetadores o mais possível de modo a evitar problemas com a segurança. Mesmo assim nem tudo foram rosas e o troço de Santana 1 teve mesmo de ser atrasado e por muito pouco não foi cancelado, precisamente por questões de segurança.
Quase todos os anos do Rali da Madeira parece que para além dos pilotos existem também algumas entidades / pessoas que entendem ter o seu protagonismo. No mínimo “estranha” é o que se pode dizer da decisão tomada pelo Colégio de Comissários e anunciada pelo diretor de prova, sobre as penalizações em que potencialmente alguns pilotos incorreram durante a super-especial por tocarem nos pneus da chicane. O timing da decisão foi horrível, já estava quase no final a 1ª etapa (15 horas depois do sucedido), depois os argumentos da decisão colocaram em causa a verdade desportiva e já depois de terminar a 1ª etapa as penalizações todas foram retiradas. Não tendo sido nomeados os juízes de facto para as chicanes (como consta do regulamento dos ralis regionais da FIA), simplesmente não se poderia ter sequer tocado no assunto das penalizações. Um caso que acabou por não o ser, mas que não deixou boa imagem de que toma decisões regulamentares nos ralis.
Não tendo possibilidades de regressar ao Europeu de Ralis, o Rali Madeira continua a dar crédito ao Europen Rally Challenge, embora nenhum dos pilotos classificados nesta competição até ao Rali da Madeira tivesse comparecido nesta prova. A pergunta que fica é: qual o interesse de ter o Rali da Madeira no ERT? Será o estatuto internacional importante para reunir os apoios necessários à sua realização? Faz sentido impor aos concorrentes do Campeonato de Portugal de Ralis e do Campeonato da Madeira de Ralis as regras do ERT?
Ainda não foi desta que Kris Meeke venceu na Madeira. Sem bermas e sem possibilidade de cortar as curvas não é fácil andar na Madeira para aqueles que conduzem “largo”, como é o caso de Meeke. Porém, o britânico já “assinou” a sua presença em 2027, dizendo que quererá ganhar muito na Madeira e ser o único piloto a vencer os três ralis mais míticos de Portugal: Açores, Madeira e o Rali de Portugal. Para já continua só com dois!!!
A FPAK mostra por vezes o cartão branco a quem se destaca por algo em prol das boas práticas no automobilismo. Contudo, poderia também pensar num cartão amarelo ou até vermelho para quem, para além de lutar nos troços, o faz também na comunicação social e noutras instâncias, transportando para fora dos ralis algum mau estar que não é bom para a modalidade.



