
O Campeonato do Mundo de Ralis entra numa das fases mais rápidas da temporada com a realização do Rali da Estónia, entre 17 e 19 de julho. A nona prova do calendário do WRC terá como centro operacional a cidade de Tartu e apresenta um percurso composto por 18 especiais de classificação, num total de 301,80 quilómetros cronometrados.
Depois dos pisos duros, rochosos e exigentes do Rali da Acrópole, as equipas encontram na Estónia um desafio completamente diferente. As estradas largas, rápidas e fluídas, os grandes saltos, as lombas cegas e os troços técnicos entre árvores obrigam os pilotos a confiar totalmente nas notas e no comportamento dos carros.
Com médias que frequentemente ultrapassam os 120 km/h, o Rali da Estónia é, juntamente com o Rali da Finlândia, uma das provas mais rápidas do campeonato. As margens entre os primeiros deverão ser reduzidas, tornando qualquer pequeno erro particularmente penalizador.
O percurso apresenta este ano um formato mais compacto. Após o shakedown, na manhã de sexta-feira, a competição começa durante a tarde com três especiais em terra a sul de Tartu, percorridas por duas vezes, antes de uma especial urbana encerrar o dia.
No sábado, o programa inclui quatro troços, igualmente disputados em duas passagens, além de uma superespecial junto ao parque de assistência. Para domingo ficam as duas passagens pelo troço de Kääriku, o mais longo da prova, com 24,39 quilómetros.
Toyota em força
A Toyota Gazoo Racing chega à Estónia numa posição particularmente forte, com os seus cinco pilotos a ocuparem os cinco primeiros lugares do campeonato.
Elfyn Evans lidera a classificação com 11 pontos de vantagem sobre Takamoto Katsuta, que deverá completar na Estónia a sua 100.ª participação numa prova do Campeonato do Mundo de Ralis.
O campeão em título Sébastien Ogier regressa às estradas estónias pela primeira vez desde 2021, motivado pela vitória alcançada no Rali da Acrópole. O francês ocupa o terceiro lugar do campeonato, a 37 pontos do líder.
Sami Pajari e Oliver Solberg completam a formação da Toyota. Solberg regressa ao palco onde, em 2025, alcançou uma sensacional vitória na sua estreia com o Toyota GR Yaris Rally1.
Juha Kankkunen, diretor-adjunto da Toyota Gazoo Racing, antecipa uma luta ao ataque desde os primeiros quilómetros. “Enquanto equipa, esperamos sempre com entusiasmo por esta fase da temporada e por estes ralis muito rápidos na Estónia e na Finlândia. O Rali da Acrópole foi sobretudo uma prova de gestão de pneus, mas a Estónia deverá ser uma luta a fundo”, afirmou.
Elfyn Evans reconhece que a posição de primeiro na estrada poderá continuar a ter influência caso os pisos estejam muito secos. “A Grécia foi uma prova difícil para nós, mas podemos agora esperar algo completamente diferente nas estradas muito mais rápidas da Estónia e da Finlândia. Foi útil participar num rali nacional na Estónia para voltar a habituar-me às velocidades mais elevadas. Se estiver muito seco, ainda poderá haver alguma limpeza de estrada, mas temos de nos concentrar em fazer o melhor possível”, explicou o líder do campeonato.
Sébastien Ogier assume que o regresso à Estónia representa um desafio adicional, depois de cinco anos afastado da prova. “Passar da Grécia para a Estónia será um grande contraste, especialmente para mim, porque não participo neste rali há cinco anos. É uma das provas mais espetaculares da temporada, muito bem organizada e com um excelente ambiente. Espero que possamos ser competitivos. Não será fácil, mas gosto deste tipo de desafio”, afirmou.
Oliver Solberg não esconde a ligação emocional à prova onde venceu pela primeira vez com um Rally1. “A Estónia é um lugar muito especial para mim, depois de termos conseguido lá a nossa primeira vitória no ano passado. É um rali de que sempre gostei, com velocidades elevadas, grandes saltos e adeptos muito entusiasmados. Não tivemos as provas mais fáceis recentemente, mas agora regressamos a um rali onde já tenho experiência com este carro”, destacou.
Takamoto Katsuta, segundo classificado do campeonato, pretende aproveitar uma das suas superfícies preferidas para manter a pressão sobre Evans. “É preciso estar muito empenhado na Estónia, especialmente nas segundas passagens, quando as estradas ficam marcadas. As diferenças são muito pequenas a estas velocidades. Vou tentar obter um bom resultado e conquistar o máximo de pontos possível”, referiu.
Também Sami Pajari aponta a Estónia e a Finlândia como dois dos seus eventos preferidos. “Estou muito satisfeito por chegar a estes dois ralis, que são os meus favoritos do calendário. Continuamos numa boa posição no campeonato e a nossa posição de partida não deverá ser má, por isso acredito que podemos estar na luta”, afirmou o piloto finlandês.
Hyundai quer transformar velocidade em vitória
A Hyundai Motorsport chega à Estónia animada pelo ritmo demonstrado nas últimas provas em terra. Depois da vitória em Portugal, a equipa liderou durante grande parte do Rali da Acrópole, antes de alguns furos nas especiais finais impedirem a conquista de novo triunfo.
Thierry Neuville e Adrien Fourmaux terão na Estónia a companhia de Esapekka Lappi, que regressa ao terceiro Hyundai i20 N Rally1 pela primeira vez desde o Rali Safari do Quénia.
A formação sul-coreana reconhece, contudo, que a preparação para os pisos rápidos da Estónia e da Finlândia poderá ser condicionada pela mudança da sua estrada permanente de testes da Finlândia para o sul de França.
Andrew Wheatley, diretor desportivo da Hyundai Motorsport, considera que a fiabilidade demonstrada na Grécia constitui uma base importante para esta fase da temporada. “O ritmo dos pilotos foi muito bom, mas igualmente impressionante foi a fiabilidade. Apesar de ter sido uma das provas mais quentes e difíceis da temporada, tivemos uma fiabilidade perfeita. Isso dá-nos confiança para atacar alguns dos ralis mais rápidos do ano”, explicou.
Thierry Neuville apresenta-se determinado em lutar pela vitória e recuperar terreno no campeonato. “Chegamos à Estónia confiantes depois de duas provas em terra nas quais demonstrámos consistentemente um ritmo forte e lutámos pela vitória. Se as condições se mantiverem secas, deverão adaptar-se bem ao nosso carro. O segredo está em encontrar o equilíbrio certo entre tração, precisão e proteção nos grandes saltos, mantendo total confiança no carro. O objetivo é claro: lutar pela vitória e conquistar muitos pontos”, afirmou o belga.
Adrien Fourmaux destaca a importância da confiança num evento em que as decisões são tomadas a velocidades muito elevadas. “A Estónia é um desafio completamente diferente da Acrópole. Em vez de estradas lentas, técnicas e duras, passamos diretamente para algumas das especiais mais rápidas do calendário. A confiança é tudo. Se conseguirmos fazer uma prova limpa e consistente, temos potencial para ser competitivos”, disse o francês.
Esapekka Lappi regressa à equipa com ambições superiores a uma presença entre os cinco primeiros. “Estou muito entusiasmado por voltar ao Hyundai i20 N Rally1, especialmente porque será a última participação deste carro nestas provas super-rápidas. Utilizámos o teste para encontrar o equilíbrio correto nos diferenciais, suspensão e carga aerodinâmica. Se acertarmos nas notas, o resto deverá ser mais simples. Espero estar a lutar acima do top cinco”, adiantou o finlandês.
M-Sport aposta na confiança conquistada na Grécia
A M-Sport Ford apresenta três Ford Puma Rally1 para Josh McErlean, Jon Armstrong e Mārtiņš Sesks. A equipa chega motivada pelo desempenho alcançado no Rali da Acrópole, onde chegou a colocar três carros entre os seis primeiros.
McErlean alcançou na Grécia o melhor resultado da sua carreira, com o sexto lugar, enquanto Jon Armstrong conquistou a sua primeira vitória numa especial do WRC.
Richard Millener, diretor da M-Sport Ford, espera que os pilotos deem continuidade aos progressos demonstrados na ronda anterior. “Depois de uma prova muito dura na Grécia, a Estónia será um desafio diferente. Estou ansioso por ver como os nossos pilotos conseguem continuar a construir sobre os desempenhos que apresentaram no mês passado. Os adeptos são muito apaixonados e conhecedores, e o rali proporciona imagens incríveis que mostram a capacidade destes pilotos”, afirmou.
Josh McErlean pretende aproveitar a confiança conquistada com o resultado obtido na Grécia. “A Estónia é sempre um dos ralis mais rápidos e agradáveis da temporada. A Grécia deu-nos uma base sólida para trabalhar e o objetivo é transportar essa dinâmica para a Estónia. Gosto muito deste tipo de prova e espero que possamos continuar a evoluir e alcançar outro bom resultado”, declarou o irlandês.
Jon Armstrong vai competir pela primeira vez nas rápidas especiais estónias ao volante de um Rally1, depois de anteriores participações no JWRC e no Campeonato da Europa de Ralis. “As especiais são completamente a fundo e o tipo de piso adapta-se bem a mim, porque é um pouco mais arenoso. É uma excelente forma de começar este verão de velocidade com um Rally1”, referiu.
Mārtiņš Sesks considera o Rali da Estónia como uma espécie de prova caseira, devido à proximidade com a Letónia. “É a altura do ano em que estamos mais próximos do nosso país e podemos considerar a Estónia como o nosso rali de casa. Esperamos ver muitos adeptos letões e sentir-nos o mais possível em casa. Retirámos muitos aspetos positivos da participação do ano passado e queremos ter um fim de semana competitivo”, afirmou.



