
O Campeonato do Mundo de Ralis vai conhecer o seu campeão no próximo fim de semana, no Rally Italia Sardegna, última prova do WRC 2026. Elfyn Evans, Sami Pajari e Oliver Solberg chegam à derradeira ronda separados por apenas 21 pontos e todos ainda podem conquistar, pela primeira vez, o título mundial.
A decisão do Mundial de Ralis de 2026 ficará para o Rally Italia Sardegna, que se disputa de 1 a 4 de outubro, depois de ter sido confirmado que o Rally da Arábia Saudita deixaria de integrar o calendário do WRC. A prova italiana passa assim a ser a 13.ª e última ronda da temporada.
À partida para a Sardenha, Elfyn Evans lidera com 230 pontos, seguido de Sami Pajari, com 213, e Oliver Solberg, com 209. Estão disponíveis um máximo de 35 pontos: 25 pela vitória no rali, cinco pela classificação de Super Sunday e outros cinco na Power Stage.
Evans depende apenas de si
Elfyn Evans chega a Itália com uma vantagem de 17 pontos sobre Pajari e 21 sobre Solberg, pelo que continua a ter o cenário mais simples. O piloto galês será campeão mundial se somar pelo menos 19 pontos, independentemente daquilo que os seus dois adversários conseguirem fazer. Uma vitória no Rally Italia Sardegna, que vale 25 pontos, garante automaticamente o título. Caso termine em segundo, Evans soma 17 pontos e necessita apenas de mais dois pontos no domingo.
Se terminar em terceiro, terá de acrescentar quatro pontos aos 15 da classificação geral. Sendo quarto, necessita de sete pontos adicionais, enquanto um quinto lugar obriga a conseguir nove dos dez pontos disponíveis entre o Super Sunday e a Power Stage.
A partir do sexto lugar já não consegue atingir sozinho os 19 pontos necessários: o sexto posto vale oito pontos e, mesmo conquistando os dez pontos de domingo, chegaria apenas aos 18. Nesse cenário passaria a depender dos resultados de Pajari e Solberg.
Há, contudo, um elemento que poderá complicar a tarefa de Evans: como líder do campeonato, deverá abrir a estrada nos troços de terra da Sardenha, uma posição tradicionalmente desfavorável devido ao efeito de limpeza. A própria Toyota admite que Evans terá uma posição de estrada particularmente exigente.
Pajari tem de recuperar 17 pontos
Sami Pajari parte para a última prova com 17 pontos de atraso relativamente a Evans. Para ultrapassar diretamente o galês na classificação necessita de marcar pelo menos mais 18 pontos do que Evans. Caso recupere exatamente 17 pontos, ambos terminam empatados e será necessário recorrer aos critérios de desempate.
Pajari tem atualmente uma vantagem importante nesse capítulo, uma vez que soma três vitórias em 2026, conquistadas consecutivamente na Estónia, Finlândia e Paraguai, enquanto Evans venceu duas provas.
Se Pajari conseguir a pontuação máxima de 35 pontos na Sardenha, terminará o campeonato com 248 pontos. Nesse cenário, Evans terá de marcar no máximo 18 pontos para manter aberta a discussão. Se somar precisamente 18, ambos terminariam com 248 pontos, mas uma eventual vitória de Pajari na Sardenha elevaria para quatro o seu número de triunfos, garantindo-lhe vantagem no desempate.
Por outro lado, Pajari também terá de controlar Solberg. O finlandês tem apenas quatro pontos de vantagem sobre o sueco, pelo que Solberg o ultrapassará diretamente caso consiga marcar mais cinco pontos.
Solberg precisa de uma recuperação ainda maior
Oliver Solberg chega à última prova com 209 pontos, menos 21 do que Evans e menos quatro do que Pajari. Para terminar à frente dos dois adversários apenas através da pontuação, Solberg precisa de marcar pelo menos mais 22 pontos do que Evans e mais cinco do que Pajari. O cenário ideal passa naturalmente pela pontuação máxima.
Se Solberg vencer o rali, o Super Sunday e a Power Stage soma 35 pontos e termina o campeonato com 244 pontos. Nesse cenário, Evans pode marcar no máximo 14 pontos para que Solberg fique isoladamente à sua frente. Caso Evans some 15 pontos, ambos terminam com 244, mas uma vitória de Solberg em Itália dar-lhe-ia o terceiro triunfo da temporada, contra dois de Evans, colocando o sueco à frente no desempate.
Solberg chega, contudo, à última prova num momento particularmente forte, depois de ter vencido recentemente no Chile, resultado que lhe permitiu manter vivas as possibilidades de lutar pelo título.
Dez pontos podem decidir tudo no domingo
Uma das particularidades da decisão deste campeonato é o peso da jornada de domingo. Além dos pontos da classificação geral do rali, estão disponíveis cinco pontos no Super Sunday e cinco pontos na Power Stage, o que significa que um piloto pode somar dez pontos suplementares no último dia da temporada. Esses dez pontos poderão transformar completamente as contas.
Por exemplo, se Evans terminar em segundo lugar mas não somar qualquer ponto adicional no domingo, acrescentará apenas 17 pontos e terminará o campeonato com 247.
Se, além do segundo lugar, conseguir apenas dois pontos entre Super Sunday e Power Stage, chegará aos 249 e será matematicamente campeão.
As contas do título
Elfyn Evans – 230 pontos
Tem 17 pontos de vantagem sobre Pajari e 21 sobre Solberg.
19 pontos na Sardenha garantem-lhe o título mundial, independentemente dos resultados dos rivais.
Sami Pajari – 213 pontos
Precisa de recuperar pelo menos 17 pontos a Evans para igualar o galês e 18 para o ultrapassar diretamente.
Tem atualmente vantagem no número de vitórias: três contra duas de Evans.
Oliver Solberg – 209 pontos
Precisa de recuperar 21 pontos para igualar Evans e 22 para o ultrapassar diretamente.
Também terá de recuperar pelo menos cinco pontos a Pajari para terminar à sua frente sem depender de desempates.
Tudo está, portanto, em aberto para a derradeira prova do WRC 2026, embora Evans seja o único dos três pilotos que depende exclusivamente do seu próprio resultado: 19 pontos chegam para transformar o galês em campeão mundial. Para Pajari e Solberg, além de uma grande prestação na Sardenha, será necessário esperar que Evans deixe escapar uma parte significativa dos 35 pontos disponíveis.



