
O Campeonato do Mundo de Ralis de 2026 teve um dos finais mais emocionantes da sua história. Elfyn Evans e Scott Martin conquistaram o seu primeiro título mundial, depois de Oliver Solberg, que estava a caminho de se sagrar campeão, ter cometido um erro a apenas duas curvas do final da derradeira especial do Rali da Sardenha. O sueco ainda conseguiu vencer o rali, mas perdeu o título para o seu companheiro de equipa na Toyota, num desfecho absolutamente dramático.
A última prova do WRC de 2026 prometia uma luta intensa entre os três pilotos da Toyota que ainda podiam chegar ao título: Elfyn Evans, Sami Pajari e Oliver Solberg. O galês partia com 17 pontos de vantagem sobre Pajari e 21 sobre Solberg, mas as condições dos troços de terra da Sardenha e os dez pontos adicionais disponíveis no último dia deixavam tudo em aberto.
Na sexta-feira, Thierry Neuville e Adrien Fourmaux dominaram grande parte da competição, com o belga a terminar a jornada na liderança, apenas quatro décimos de segundo à frente do seu companheiro de equipa na Hyundai. Solberg surgia no terceiro lugar, a 12,3 segundos, enquanto Evans, prejudicado por abrir a estrada, não conseguia acompanhar o ritmo dos primeiros e terminava o dia na sexta posição.
O sábado trouxe uma reviravolta. Solberg atacou desde os primeiros troços da manhã, ultrapassou os dois Hyundai e assumiu a liderança. A saída de estrada de Neuville, na primeira especial da tarde, abriu caminho ao sueco, que terminou o dia com 33,6 segundos de vantagem sobre Sébastien Ogier. Pajari ocupava a terceira posição e Evans era quinto, mantendo uma vantagem virtual de apenas seis pontos sobre Solberg nas contas do campeonato.
Tudo ficava reservado para os quatro troços de domingo, com Solberg determinado a conquistar a vitória no rali e os dez pontos adicionais do Super Sunday e da Power Stage.
Um domingo de emoções até à última curva
Solberg começou a etapa final ao ataque, vencendo as primeiras especiais e consolidando a liderança do rali e do Super Sunday. Evans procurava defender a vantagem que ainda conservava no campeonato, mas, na penúltima especial, tudo esteve prestes a ruir.
Um furo obrigou o galês a parar para substituir uma roda dianteira direita, perdendo tempo precioso e ficando fora dos lugares pontuáveis do Super Sunday. Com Solberg a caminho da vitória no rali e dos cinco pontos adicionais da classificação de domingo, o título passava a depender exclusivamente do resultado da Power Stage.
O cenário não podia ser mais emocionante: quem fosse mais rápido entre Evans e Solberg no derradeiro troço seria campeão do mundo.
Evans foi o primeiro dos dois a completar os 7,10 quilómetros de Sassari–Argentiera. O galês atacou ao máximo, mas cometeu alguns erros e terminou a especial convencido de que tinha perdido a oportunidade de conquistar o título.
Solberg entrou depois em prova decidido a aproveitar a oportunidade. Foi o mais rápido no primeiro parcial e, a apenas 1,2 quilómetros do final, tinha uma vantagem de 1,9 segundos sobre Evans. O título mundial estava ao seu alcance.
Mas, a apenas duas curvas da meta, aconteceu o impensável. Numa curva à esquerda, junto à costa de Argentiera, Solberg perdeu o controlo do Toyota GR Yaris Rally1, atravessou a estrada e saiu para as dunas. Conseguiu regressar ao percurso e terminar o troço, mas perdeu nove segundos para Evans.
Em poucos instantes, o sonho do sueco transformou-se na consagração do galês. Solberg conquistou a vitória no Rali da Sardenha, com 57,6 segundos de vantagem sobre Ogier, mas foi Evans quem festejou o título mundial de 2026.
Depois de cinco vice-campeonatos nas seis temporadas anteriores, Evans conseguiu finalmente alcançar o título que tantas vezes lhe escapou. Aos comandos do Toyota GR Yaris Rally1, e acompanhado por Scott Martin, tornou-se no primeiro piloto britânico a conquistar o Mundial desde Richard Burns, em 2001.
Para Solberg ficou a terceira vitória da temporada, mas também a enorme desilusão de ter perdido um título que parecia praticamente assegurado a pouco mais de um quilómetro do fim. Uma demonstração de como, nos ralis, nada está decidido até à última curva.
VENCEDORES DE TROÇOS
Thierry Neuville (6); Oliver Solberg (5); Adrien Fourmaux (3); Sebastien Ogier (2); Sami Pajari (1)
COMANDANTES SUCESSIVOS
Oliver Solberg (Pec 1); Sebastien Ogier (Pec 2); Adrien Fourmarux (Pec 3 a 6); Thierry Neuville (Pec 7 a 9); Oliver Solberg (Pec 10 a 17)
CLASSIFICAÇÃO FINAL
| 1.º | Oliver Solberg / Elliott Edmondson | Toyota GR Yaris Rally1 | 3:24:57,0 |
| 2.º | Sébastien Ogier / Vincent Landais | Toyota GR Yaris Rally1 | +57,6 s |
| 3.º | Sami Pajari / Marko Salminen | Toyota GR Yaris Rally1 | +1:37,4 |
| 4.º | Adrien Fourmaux / Alexandre Coria | Hyundai i20 N Rally1 | +2:38,6 |
| 5.º | Elfyn Evans / Scott Martin | Toyota GR Yaris Rally1 | +4:48,1 |
| 6.º | Takamoto Katsuta / Aaron Johnston | Toyota GR Yaris Rally1 | +6:02,4 |
| 7.º | Jon Armstrong / Shane Byrne | Ford Puma Rally1 | +7:32,2 |
| 8.º | Roope Korhonen / Anssi Viinikka | Toyota GR Yaris Rally2 | +12:10,4 |
| 9.º | Robert Virves / Jakko Viilo | Škoda Fabia RS Rally2 | +12:11,1 |
| 10.º | Gus Greensmith / Jonas Andersson | Toyota GR Yaris Rally2 | +13:02,2 |



