
A confirmação de que o Rali de Portugal não se realizará em 2027, ficando também de fora do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), coloca novas questões sobre a composição do calendário da próxima temporada. A possível entrada do Azores Rallye, o equilíbrio entre provas de terra e asfalto e os resultados das avaliações efetuadas pela FPAK às organizações serão determinantes para definir o futuro do campeonato.
A ausência do Rali de Portugal em 2027, agora confirmada pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), significa que a prova não só ficará de fora do Campeonato do Mundo de Ralis, como também não integrará qualquer outra competição. Esta situação tem consequências diretas para o Campeonato de Portugal de Ralis, que perde uma das suas provas de terra, embora seja relativamente consensual que a prova não deveria pontuar para o CPR, como tem acontecido nos últimos anos (este ano teve apenas 14 inscritos portugueses).
Recorde-se que, no início da temporada, a FPAK tinha apontado para um calendário de oito provas em 2027. Com a saída do Rali de Portugal, as restantes oito provas que integram o CPR em 2026 surgem naturalmente como candidatas à continuidade em 2027, embora ainda não exista qualquer confirmação oficial sobre a composição do calendário.
Contudo, há uma questão que poderá alterar significativamente este cenário: a candidatura do Azores Rallye, também conhecido como Volta à Ilha, ao Campeonato de Portugal de Ralis.
A prova açoriana foi objeto de avaliação pelos observadores da FPAK, mas os resultados ainda não foram divulgados. Para além da avaliação desportiva e organizativa, será igualmente necessário assegurar as garantias financeiras por parte do Governo Regional dos Açores, fundamentais para viabilizar a subida da prova ao campeonato nacional.
Equilíbrio entre terra e asfalto será uma das questões fundamentais
A eventual entrada do Azores Rallye poderá assumir particular importância no equilíbrio do calendário de 2027. Com a saída do Rali de Portugal, desaparece uma prova de terra, pelo que a integração da prova açoriana permitiria compensar essa ausência.
Nesse cenário, o CPR poderia contar com quatro provas de terra, considerando também o Rali Terras d’Aboboreira, o Rallye Casinos do Algarve e o Rali de Seis Cidades do Norte, ficando as restantes provas reservadas ao asfalto, embora neste momento existam cinco provas.
Pelo contrário, se o Azores Rallye não integrar o calendário, poderá verificar-se um desequilíbrio entre os dois tipos de piso, com maior representação das provas de asfalto. Uma situação que não seria particularmente interessante do ponto de vista da competitividade do campeonato, nomeadamente para as equipas que procuram disputar a totalidade da temporada.
A definição do calendário poderá também constituir uma oportunidade para reorganizar a sequência das provas, procurando uma distribuição mais racional entre terra e asfalto. Uma hipótese seria concentrar numa primeira fase as provas de um determinado piso e reservar a segunda metade do campeonato para o outro, reduzindo as constantes mudanças de configuração das viaturas ao longo da temporada.
Avaliação das organizações também poderá influenciar decisões
Outra questão importante prende-se com o novo sistema de avaliação das provas, cujos resultados poderão ter influência na definição do calendário… no caso dos Açores subirem de novo ao CPR.
Em 2026, as organizações passaram a dar maior atenção a aspetos relacionados com a promoção e valorização dos eventos, incluindo apresentações de equipas, sessões de autógrafos, cerimónias de pódio, iniciativas nas cidades, divulgação nas redes sociais e envolvimento das entidades locais.
São elementos que procuram transformar os ralis em acontecimentos com maior dimensão mediática e capacidade de mobilização, para além da competição propriamente dita.
Contudo, este esforço nem sempre parece estar a traduzir-se num crescimento do público. Excluindo provas com características particulares, como o Rali de Portugal e o Rali Vinho da Madeira, a perceção ao longo da temporada é de uma menor presença de espectadores em várias provas do CPR, sobretudo fora das super-especiais (ou City Stage).
Acresce que muitas organizações, apesar da experiência acumulada, continuam a não dispor de estruturas verdadeiramente profissionalizadas, o que dificulta a concretização de algumas das exigências associadas à promoção dos eventos.
Por outro lado, importa questionar o peso atribuído a determinados critérios de avaliação. Muitos dos aspetos analisados pelos observadores apresentam uma componente subjetiva significativa, podendo influenciar a classificação final das provas sem que os critérios objetivos, nomeadamente os diretamente relacionados com a organização e segurança desportiva, tenham necessariamente a preponderância que deveriam assumir.
Um calendário ainda com muitas incógnitas
A definição do calendário de 2027 surge, assim, num contexto particularmente interessante. A saída do Rali de Portugal, a candidatura do Azores Rallye e a importância que os relatórios dos observadores poderão assumir nas decisões da FPAK introduzem variáveis que não podem ser ignoradas.
Mais do que preencher a vaga deixada pelo Rali de Portugal, será importante perceber se a federação aproveitará esta oportunidade para construir um calendário mais equilibrado, tanto na distribuição dos pisos como na organização das datas e na valorização desportiva das provas.
Até à divulgação oficial do calendário, a grande incógnita continuará a ser a eventual entrada do Azores Rallye, uma decisão que poderá ter influência direta na configuração do CPR de 2027.



