
O Rallye Vidreiro Centro de Portugal, que se realiza nos dias 20 e 21 de novembro, vai decidir o título de campeão de Portugal de Ralis. A última prova do campeonato terá 11 especiais de asfalto, num total de 112,20 quilómetros cronometrados, e ficará também marcada pelo simbolismo da recuperação da região após a tempestade Kristin.
Apresentado este sábado, na Praça Rodrigues Lobo, em Leiria, o Rallye Vidreiro Centro de Portugal encerra uma temporada marcada pela competitividade e por uma luta pelo título que envolve Pedro Almeida, Rúben Rodrigues e Armindo Araújo.
Organizada pelo Clube Automóvel da Marinha Grande, a prova percorre os municípios de Leiria, Marinha Grande e Pombal, com novidades no percurso, o regresso da super-especial ao centro da Marinha Grande e a realização da decisiva Power Stage no Pinhal do Rei.
Inicialmente previsto para março, o rali foi adiado devido aos efeitos da tempestade Kristin, regressando agora como última prova do Campeonato de Portugal de Ralis e símbolo da capacidade de recuperação da região.
Onze especiais para decidir o campeonato
A competição começa na sexta-feira, 20 de novembro, com o shakedown na Caranguejeira, entre as 08h00 e as 11h00. A cerimónia de partida está marcada para as 14h00, no Estádio Municipal de Leiria.
A primeira especial será Igreja dos Milagres, com 9,41 quilómetros, disputada às 14h35 e às 16h20. Trata-se de um troço novo, bastante técnico, com constantes mudanças de ritmo, piso e características da estrada, onde a precisão das notas e a experiência dos pilotos serão fundamentais.
Entre as duas passagens realiza-se Santa, com 8,15 quilómetros, às 15h35. Este troço, que regressa ao percurso após vários anos de ausência, combina uma primeira secção técnica, com curvas e topos cegos, com uma segunda parte mais rápida e fluida.
O primeiro dia termina com a Super-Especial TEKEVER, de 1,66 quilómetros, às 19h30, que regressa ao centro da Marinha Grande. O traçado foi concebido para proporcionar espetáculo, privilegiando zonas rápidas e fluidas, aproximando-se das características de uma verdadeira especial de rali.
No sábado, 21 de novembro, a competição prossegue em Pombal, com duas passagens por Mata Mourisca, de 10,21 quilómetros, às 09h00 e às 11h00, e por Pombal – Carnide, de 14,71 quilómetros, às 09h30 e às 11h30.
Mata Mourisca apresenta uma partida diferente da edição anterior, mantendo a alternância entre zonas rápidas e lentas, com algumas secções de asfalto polido que poderão tornar-se escorregadias. Pombal – Carnide é a única especial que mantém integralmente o traçado anterior.
A tarde ficará reservada ao Pinhal do Rei, a especial mais longa da prova, com 16,87 quilómetros, disputada às 14h00 e às 16h00. A segunda passagem será a Power Stage, onde poderão ficar definitivamente decididas as contas do campeonato.
O troço, cujo nome homenageia o pinhal devastado pela tempestade Kristin, mantém parte do percurso anterior, embora as zonas próximas do ribeiro tenham sido retiradas devido à impossibilidade de circulação nas estradas.
A prova termina com a City-Stage Arena CIMRL, em Leiria, às 17h05, integrada no evento Leiria Sobre Rodas. Esta última passagem, de 1,26 quilómetros, não terá tempos competitivos, sendo a chegada final às 17h15.
Pedro Almeida e Rúben Rodrigues separados por apenas dois pontos
A luta pelo Campeonato de Portugal de Ralis promete ser um dos principais atrativos da prova.
Pedro Almeida chega à última jornada na liderança, com 139 pontos, mas terá de descartar o seu pior resultado, ficando com 127 pontos efetivos. Rúben Rodrigues é segundo, com 125 pontos, enquanto Armindo Araújo ocupa a terceira posição, com 112 pontos.
As contas são particularmente apertadas entre os dois primeiros classificados. Pedro Almeida garante o título se vencer o Rallye Vidreiro, independentemente dos resultados dos adversários.
Rúben Rodrigues terá de terminar à frente de Pedro Almeida e, caso o atual líder seja segundo, apenas a vitória permitirá ao piloto lutar pelo título.
Armindo Araújo também mantém possibilidades matemáticas, embora dependa de uma conjugação de resultados. Terá de vencer a prova, terminar entre os dois primeiros da Power Stage e esperar que Pedro Almeida fique fora dos quatro primeiros e que Rúben Rodrigues termine longe dos lugares da frente. Tudo ficará decidido no sábado, 21 de novembro, na segunda passagem pelo Pinhal do Rei.
Organização aposta na aproximação ao público
Além da componente desportiva, a organização renovou o site oficial, vidreiro.pt, disponibilizando informações sobre o percurso, acessos às Zonas Espetáculo, lista de inscritos, tempos online e transmissão em direto.
Entre as novidades estão um mapa interativo em 3D, a possibilidade de acompanhar as especiais e uma Fan Zone digital, onde os adeptos poderão participar na Liga Vidreiro, fazer prognósticos, colecionar cromos digitais dos pilotos, criar autógrafos personalizados, enviar fotografias e acumular pontos através de check-ins nas Zonas Espetáculo. A organização pretende, desta forma, reforçar a ligação entre a prova, os adeptos e as comunidades locais.
A apresentação do Rallye Vidreiro Centro de Portugal ficou marcada pelas intervenções dos representantes da organização, dos municípios envolvidos e do Turismo Centro de Portugal, que sublinharam a importância desportiva, económica e social do evento.
Ferdinando Barros, presidente do Clube Automóvel da Marinha Grande
“Chegar a esta edição do Rallye Vidreiro Centro de Portugal é, para todos nós, uma vitória antes mesmo da partida. A tempestade Kristin obrigou-nos a adiar a prova que deveria ter aberto o campeonato em março. Nunca pensámos desistir e o Vidreiro regressa agora como símbolo da capacidade de a Região Centro se reerguer. Este regresso só é possível graças à união dos municípios de Leiria, Marinha Grande e Pombal, que souberam apostar num projeto comum. Esse espírito de cooperação tem na Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria um parceiro essencial, que reconhece no desporto motorizado uma ferramenta de promoção e coesão territorial. Deixo, desde já, um agradecimento muito especial aos mais de 200 voluntários que, nas mais diversas funções, vão tornar possível este rali, e às forças de segurança, cujo empenho é decisivo para que tudo decorra em segurança. Agradeço também à FPAK, aos patrocinadores e aos bombeiros. Aos pilotos e equipas, desejo uma prova competitiva e segura. Ao público, peço que viva o rali com paixão, mas sempre nas zonas indicadas e respeitando as orientações da organização”.
Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria
“O Rali Vidreiro é uma referência no rali nacional, e estamos numa região onde o desporto automóvel faz parte do nosso dia a dia. Leiria, Marinha Grande e Pombal têm muitos pilotos e uma economia própria ligada ao setor, com preparadores, amantes de automóveis e colecionadores. Vamos fazer algo que já tínhamos pensado há muitos anos, que é juntar este rali ao Leiria Sobre Rodas. Assim tornamos os dois eventos mais fortes e mostramos que a região está unida em torno do desporto automóvel. Este foi um ano em que grande parte da nossa paisagem urbana e florestal foi destruída. Por isso, este rali será um ânimo para os adeptos voltarem à rua, apoiarem os seus pilotos e conviverem. Faz também parte da nossa estratégia para reerguer a região, porque estes eventos têm um efeito muito positivo no ânimo e na coragem das pessoas. Quero terminar agradecendo ao Clube Automóvel da Marinha Grande, reconhecido a nível nacional pela qualidade e pela segurança das suas provas, fruto de anos de experiência da direção e dos voluntários. Este ano a responsabilidade da organização é ainda maior, por ser a última prova. O meu desejo é que tudo corra bem”.
Armando Constâncio, vereador da Câmara Municipal da Marinha Grande
“Estamos aqui na apresentação de um acontecimento desportivo, mas também turístico, importante. É uma iniciativa que está há cinquenta e quatro anos de história na Marinha Grande, e evoluiu sempre, e agora de facto chegou a um estágio em que era preciso dar um salto. E esse salto está dado no bom sentido, no sentido das parcerias estratégicas, para dar origem a valor acrescentado para todos: aproveitar uma iniciativa que tem nome, que criou nome ao longo de mais de cinquenta anos, e que agora pode ser posta também ao serviço desta comunidade onde estamos todos inseridos, nesta região tão massacrada em janeiro, aqui na região de Leiria. E, portanto, as minhas palavras são de facto no sentido de dizer que esperamos tudo de todos: dos atletas, daquilo que são capazes de fazer, do brilho desportivo que têm; da organização, que faz um esforço fantástico todos os anos para pôr de pé uma estrutura destas, que é muito difícil de montar; das forças de segurança, que sempre colaboraram de uma maneira impecável com o Clube Automóvel da Marinha Grande; e das entidades oficiais, para além dos patrocinadores. Em nome da Câmara da Marinha Grande, que é de facto a sede onde existe o Clube Automóvel, e é a região onde este rali cresceu, numa mata que infelizmente já não existe, em nome do município, um obrigado a todos. Muito obrigado”.
Carolina Jesus, vereadora da Câmara Municipal de Pombal
“O Rali Vidreiro é uma iniciativa que une três territórios, Marinha Grande, Leiria e Pombal, que este ano enfrentaram desafios muito particulares e que só os conseguiram superar com união e trabalho em conjunto. Manter estas iniciativas é uma mostra de resiliência e a melhor forma de promover o território. O próprio nome, Rali Vidreiro Centro de Portugal, reflete a junção de vários parceiros, desde o Turismo Centro de Portugal à Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, através da qual todos os municípios da região integram o evento. Quem nos visitar nos dias 21 e 22 de novembro vai poder conhecer o que há de melhor no Centro de Portugal. Deixo uma palavra especial às forças de segurança e às juntas de freguesia, em particular à presidente da Junta de Pombal, porque as iniciativas só são bem-sucedidas quando tudo corre bem, e isso exige trabalho conjunto e também a atenção de quem nos visita. Por último, mas com muito carinho, agradeço ao Clube Automóvel da Marinha Grande, que está no terreno, por continuar a acreditar neste desporto, mesmo quando não é fácil e implica cortes de estrada e manutenção depois das provas. Desejo que estes dias sejam uma grande festa do automobilismo, do desporto, da promoção do território e, sobretudo, da cooperação entre todos. Muito obrigada, e Pombal lá estará para vos receber”.
Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo Centro de Portugal
A Turismo Centro de Portugal apoia este rali porque ele se enquadra na nossa estratégia de afirmar a região como uma “sport region”. Leiria e a sua região têm um contributo muito importante para o desempenho do Centro de Portugal, tanto no número de dormidas como nas receitas. O desporto motorizado faz parte do ADN de quem vive no Centro: todos crescemos a ver passar ralis na região. Por isso, eventos como este são bons para a economia local, porque dinamizam a indústria, o território e os parceiros públicos, e atraem também muitos visitantes. Quero sublinhar o que disse o Sr. Presidente da Câmara de Leiria: é um rali muito exigente em matéria de segurança e socorro, e isso pede muito a quem trabalha nessas operações. Mas é também uma prova que está no ADN desta gente. Nasceu na Marinha Grande, terra que teve e continua a ter grandes pilotos, e em boa hora passou para a região de Leiria. Podem contar com a Turismo Centro de Portugal para continuar a apoiar este evento e a consolidá-lo cada vez mais na Região Centro”.



