Nova época velhos problemas (opinião)
Quase três dezenas de viaturas R5, um piloto do Mundial de Ralis, um piloto bicampeão do mundo, um piloto vice-campeão da europa e cinco campeões nacionais não foram motivo suficiente para que o Rali Serras de Fafe tivesse honras de uma profunda divulgação mediática.
É uma vergonha para este desporto a ausência total de promoção mediática, mas é uma vergonha muito maior para quem tem a responsabilidade de o dirigir, neste caso a FPAK.
Ano após ano estão a perder-se oportunidades únicas de tornar este desporto tão mediático como muito outros e não existe ninguém que consiga pegar neste produto, que se chama Campeonato de Portugal de Ralis, e o consiga vender a patrocinadores que depois o possam fazer chegar aos meios de comunicação generalistas.
Mais um ano em que o ambiente que se respira na caravana do Campeonato de Portugal de Ralis não é o melhor, com todas as principais equipas e pilotos quase de costas voltas, mesmo quando têm interesses comuns. Depois do rali terminar, lá virão os comentários de que este e aquele não cumpriram as regras, levantando-se suspeitas sobre tudo e sobre todos sem que ninguém apresente uma prova.
Um rali que começa sobre o estigma de reconhecimentos irregulares, porque de forma imprudente foi dito que uma equipa foi identificada, mas quem deveria avançar com o processo, aparentemente assobia para o lado como se nada tivesse acontecido.
Quanto à componente desportiva, não é todos os anos que existem meia dúzia de candidatos à vitória nas contas do Campeonato de Portugal de Ralis, podendo este Rali Serras de Fafe ser uma edição histórica, se já não é, atendendo ao número de viaturas R5 inscritas que supera largamente todas as melhores previsões que poderia haver para esta prova.
Não gosto que o Rali de Portugal faça parte das contas do Campeonato de Portugal de Ralis, não gosto do sistema de pontuação extra, não gosto que se deitem provas fora, não gosto de um calendário tão longo, não gosto de tantas categorias que geram tantos campeões quase sem mérito e sem competição, não gosto que não exista rotatividade de provas, enfim mais do mesmo em termos regulamentares para uma competição que merecia ser trabalhada com profissionalismo.
Paulo Homem



