O Campeonato do Mundo de Ralis prossegue, de 27 a 30 de agosto, com o Rally do Paraguay, 11.ª prova da temporada. Disputada em pisos de terra e com base em Encarnación, a segunda edição da prova promete condições muito exigentes, num momento em que a Toyota pode garantir antecipadamente o título de construtores.
Depois da estreia no calendário mundialista em 2025, o Rally do Paraguay volta a receber as principais equipas e pilotos do WRC. A prova abre a jornada sul-americana do campeonato, que prosseguirá duas semanas mais tarde com o Rally Chile.
O percurso integra 22 classificativas, num total de cerca de 358 quilómetros cronometrados, distribuídos por quatro dias. A distância total do evento aproxima-se dos 938 quilómetros.
Com o centro operacional instalado em Encarnación, junto ao rio Paraná e à fronteira com a Argentina, o rali percorre as estradas da região de Itapúa. A cerimónia de partida está marcada para quinta-feira à noite, seguindo-se, na sexta-feira, o dia mais longo da competição, com duas passagens por quatro classificativas e 153,78 quilómetros ao cronómetro.
No sábado serão novamente disputadas duas passagens por quatro troços, antes de uma nova superespecial em Encarnación. A prova termina no domingo, depois de mais cinco classificativas.
Terra vermelha e aderência muito variável
As estradas paraguaias distinguem-se pelo característico piso de terra vermelha, combinando zonas rápidas e fluídas com secções estreitas, técnicas e muito irregulares. A presença de saltos, compressões e pedras representa um desafio adicional para os carros e pneus.
O terreno macio pode degradar-se significativamente entre passagens, formando sulcos profundos e deixando pedras expostas. Em condições secas, o pó levantado pelos concorrentes pode reduzir consideravelmente a visibilidade.
A chuva poderá ter ainda maior influência. O piso argiloso e muito compacto torna-se extremamente escorregadio quando molhado, alterando por completo os níveis de aderência e obrigando os pilotos a adaptarem rapidamente a condução e as afinações.
Toyota pode garantir o título de construtores
A Toyota Gazoo Racing chega ao Paraguai depois dos fortes resultados alcançados na Estónia e na Finlândia, liderando o Campeonato de Construtores com uma vantagem de 174 pontos. A marca japonesa poderá assegurar o sexto título consecutivo se aumentar essa diferença em, pelo menos, mais seis pontos.
A equipa apresenta cinco GR Yaris Rally1 para Elfyn Evans, Sébastien Ogier, Oliver Solberg, Takamoto Katsuta e Sami Pajari. Ogier regressa à prova que venceu na edição inaugural, novamente acompanhado por Vincent Landais.
Elfyn Evans lidera o campeonato com 30 pontos de vantagem sobre Sami Pajari, vencedor das duas últimas provas, na Estónia e na Finlândia. Takamoto Katsuta e Oliver Solberg continuam igualmente envolvidos na luta pelo título, encontrando-se a 41 e 45 pontos da liderança, respetivamente.
Hyundai procura regressar aos pódios
Depois de um Rally da Finlândia abaixo das expectativas, no qual Adrien Fourmaux terminou na quarta posição e Thierry Neuville foi quinto, a Hyundai pretende transformar a competitividade demonstrada pelo i20 N Rally1 num resultado no pódio.
Thierry Neuville e Adrien Fourmaux serão acompanhados por Hayden Paddon, que regressa para a sua quarta participação no WRC em 2026, depois das presenças em Monte Carlo, Croácia e Japão.
Os três Hyundai vão apresentar uma decoração especial, desenvolvida para a jornada sul-americana e que será mantida no Rally Chile.
M-Sport aposta na experiência de McErlean
A M-Sport Ford apresenta dois Puma Rally1 para Josh McErlean e Jon Armstrong. McErlean regressa ao Paraguai depois de ter participado na edição inaugural, onde chegou a ocupar o sétimo lugar antes de abandonar devido a um problema mecânico.
Jon Armstrong fará a sua estreia competitiva na América do Sul. O piloto chega motivado pela vitória recentemente alcançada no Grampian Rally e pretende aproveitar a posição na estrada, embora admita uma abordagem mais controlada às próximas provas.
PALAVRA AOS PILOTOS
Elfyn Evans – Toyota GR Yaris Rally1 – “O nosso primeiro Rally do Paraguai, no ano passado, revelou-se muito mais difícil do que todos esperavam. No papel, as classificativas pareciam bastante simples, com muitas retas longas e cruzamentos, mas o piso de argila polida e as constantes alterações de aderência tornaram o rali muito mais complicado. Quando choveu na manhã do último dia, praticamente não havia aderência. Na nossa posição, sendo os primeiros na estrada, alguma chuva pode equilibrar as condições, mas também pode transformar rapidamente o rali numa lotaria. Como sempre, teremos de dar o nosso melhor, quaisquer que sejam as condições.”
Sébastien Ogier – Toyota GR Yaris Rally1 – “O Rally da Finlândia não terminou como esperávamos, depois de estar a ser uma prova muito boa até ao momento do nosso abandono, mas o mais importante é que o Julien e eu ficámos bem. Tivemos algum tempo para descansar e recuperar e estou preparado para competir no Paraguai com o Vincent. Mesmo que as nossas possibilidades no campeonato estejam praticamente terminadas, queremos lutar pela vitória em todas as provas que faltam e ajudar a equipa a garantir o título de construtores. Tivemos uma excelente experiência no Paraguai no ano passado, com um ambiente fantástico e classificativas muito exigentes, e vamos tentar repetir a vitória.”
Oliver Solberg – Toyota GR Yaris Rally1 – “O Paraguai organizou um evento incrível no ano passado e foi especial sentir aquele ambiente e a paixão das pessoas. As estradas também eram muito particulares, com zonas estreitas e largas, saltos e depressões, e um piso por vezes bastante escorregadio. Foi muito divertido, embora também muito difícil. Nas zonas mais rápidas, sentia que estávamos no limite com o Rally2. Com o Rally1 e a sua maior carga aerodinâmica, poderemos transportar mais velocidade, mas terei de fazer essa adaptação, como acontece em quase todas as provas deste ano. Depois de dois pódios nos dois últimos ralis, espero que possamos manter esta sequência.”
Takamoto Katsuta – Toyota GR Yaris Rally1 – “Tenho excelentes recordações do Paraguai e mal posso esperar por regressar. Havia muitos adeptos a apoiar-nos e foi um evento verdadeiramente impressionante. As estradas são agradáveis e divertidas, mas descobrimos no ano passado que o piso é muito particular, bastante compacto e polido, apresentando muito pouca aderência quando chove. Com o conhecimento adquirido no ano passado, poderá ser mais fácil regressar, mas não sabemos exatamente quais serão as condições. Vamos tentar desfrutar novamente da prova e esperamos que seja um bom rali para nós.”
Sami Pajari – Toyota GR Yaris Rally1 – “Depois do Rally da Finlândia, foi bom termos algum tempo para apreciar aquilo que conseguimos recentemente, antes de voltarmos a concentrar-nos nas provas da América do Sul. Foi fantástico ir ao Paraguai pela primeira vez no ano passado e ver o entusiasmo de todos os adeptos. É um rali agradável de conduzir, com estradas muito rápidas e alguns saltos grandes, algo de que gosto sempre. Existem também zonas bastante sinuosas e, se chover, o piso pode ficar extremamente escorregadio. Os nossos últimos resultados não alteram a nossa abordagem. Temos de continuar a fazer o melhor trabalho possível e esperamos manter os bons resultados.”
Thierry Neuville – Hyundai i20 N Rally1 – “Estou realmente entusiasmado por regressar ao Paraguai. Depois de dois ralis muito rápidos, voltamos a classificativas de terra mais típicas, com um perfil mais dinâmico e técnico, que geralmente prefiro. Gostei muito das classificativas no ano passado e o ambiente foi fantástico. Aprendemos bastante, especialmente relativamente a algumas escolhas técnicas, e este ano tomámos decisões diferentes nas afinações. As estradas têm muita inclinação lateral e as condições meteorológicas podem ser determinantes. Quando choveu no ano passado, o piso ficou extremamente escorregadio. Na Finlândia, as coisas não correram como queríamos, embora tivéssemos velocidade e recuperássemos boas sensações no domingo. Só procuro vitórias e os melhores resultados possíveis, por isso o objetivo no Paraguai é o mais elevado possível.”
Adrien Fourmaux – Hyundai i20 N Rally1 – “No ano passado fizemos um rali muito forte no Paraguai. Liderámos na sexta-feira e lutámos nos lugares da frente durante grande parte do fim de semana, por isso sabemos que podemos ser competitivos nesta prova. As classificativas são bastante particulares, com grandes variações de aderência e algumas zonas muito rápidas. É necessário confiar no carro e conseguir adaptar-se rapidamente. Aprendemos muito no ano passado e, depois das nossas recentes prestações em terra rápida, estou ansioso por regressar. O objetivo é claro: queremos voltar a lutar nos primeiros lugares e, desta vez, garantir o resultado entre os primeiros.”
Hayden Paddon – Hyundai i20 N Rally1 – “Estou muito entusiasmado por finalmente conduzir este carro em terra, e fazê-lo na América do Sul torna tudo ainda mais especial. Parece que estamos a fechar um ciclo. A nossa experiência em terra limita-se a dois pequenos testes, mas, desde o primeiro quilómetro, senti-me confortável com o carro e com o piso. Já conheço razoavelmente bem o carro das provas de asfalto e a terra é a minha zona de conforto. Agora temos de combinar as duas coisas e ganhar ritmo o mais rapidamente possível. Passámos muito tempo a estudar vídeos e dados, e o facto de 40% do percurso ser novo ajuda-nos um pouco. O objetivo é diferente das provas de asfalto: desta vez queremos atacar ao máximo, dar tudo e alcançar o melhor resultado possível para a equipa.”
Josh McErlean – Ford Puma Rally1 – “Regressar ao Paraguai dá-nos uma boa oportunidade para aproveitar tudo aquilo que aprendemos no ano passado. Essa experiência e um melhor conhecimento das classificativas e das condições deverão colocar-nos numa posição mais forte desde o início. A Finlândia foi um fim de semana positivo e queremos transportar essa dinâmica para a América do Sul. Estamos a entrar na fase final da temporada, por isso o objetivo é continuar a nossa evolução e terminar o ano de forma positiva.”
Jon Armstrong – Ford Puma Rally1 – “Estou ansioso pelo desafio de competir novamente num continente diferente. Como nunca estive na América do Sul, será fantástico conhecer estas estradas pela primeira vez. Pretendemos adotar uma abordagem mais controlada nas próximas provas, procurando simultaneamente aproveitar a nossa posição na estrada. É bom regressar ao WRC depois da vitória no Grampian Rally, que representou um importante reforço de confiança. Vamos continuar a trabalhar na nossa evolução quando regressarmos ao Puma Rally1 para as restantes provas do ano.”



