
Os campeonatos regionais de ralis, sobretudo no norte e centro, atravessam uma fase de perda gradual de participantes, uma realidade que tem vindo a gerar preocupação entre pilotos, equipas, navegadores e clubes, mas não à FPAK. Embora não exista uma única explicação para esta tendência, há um conjunto de fatores que surge repetidamente quando se debate o futuro destas competições.
O primeiro está relacionado com os custos vs o número de provas. Apesar de muitos reconhecerem que as inscrições representam apenas uma parte da despesa total de uma época, a verdade é que os valores cobrados pelas organizações (por serem muitos ralis) continuam a ser apontados como um obstáculo. Contudo, mais do que o preço da inscrição, são os custos globais de participação — pneus, combustível, assistência, deslocações, alojamento, manutenção e preparação das viaturas — que tornam cada vez mais difícil a presença regular dos concorrentes.
Outro dos aspetos mais criticados é a atual calendarização. Muitos defendem que os campeonatos regionais deveriam ter menos provas, sobretudo norte e centro, idealmente entre seis e sete por temporada, distribuídas de forma equilibrada ao longo do ano (tal como acontece no sul). A concentração de três ralis em pouco mais de um mês obriga as equipas a um esforço financeiro e logístico difícil de suportar, sobretudo para quem concilia a competição com a atividade profissional o que, na prática, são quase todos os pilotos.
A existência de demasiadas provas e campeonatos paralelos é igualmente apontada como um problema. Nos últimos anos, o número de competições cresceu significativamente, fragmentando os participantes por vários eventos e reduzindo a média de inscritos por prova. A sensação generalizada é que o “mercado” regional não tem dimensão suficiente para alimentar tantos ralis em simultâneo.
A organização dos eventos é outro tema recorrente. Muitos defendem que os ralis regionais precisam de ser encarados como verdadeiros eventos desportivos, capazes de atrair público, patrocinadores e comunicação social. O exemplo de algumas organizações que conseguiram criar um ambiente mais apelativo à volta das provas é frequentemente apontado como um caminho a seguir.
Também o modelo competitivo gera discussão. Há quem considere que a entrada de viaturas mais modernas e competitivas (leia-se R5) afastou concorrentes que anteriormente encontravam nos regionais um espaço mais equilibrado para competir. Outros defendem a criação de mais categorias, troféus e incentivos que permitam a um maior número de equipas lutar por objetivos concretos ao longo da época.
A necessidade de reduzir a burocracia e rever algumas exigências regulamentares surge igualmente entre as preocupações dos participantes, sobretudo ao nível das homologações e da validade de determinados equipamentos de segurança, que representam custos adicionais para equipas amadoras.
Entre as soluções mais consensuais destacam-se a redução do número de provas, um calendário mais racional, inscrições mais acessíveis, maior espaçamento entre eventos, ralis concentrados ao fim de semana e a criação de incentivos financeiros ou prémios que ajudem os concorrentes a suportar os custos da participação.
Acima de tudo, existe a convicção de que os campeonatos regionais continuam a desempenhar um papel fundamental na base da pirâmide dos ralis nacionais. Para muitos, é nestas competições que devem nascer os novos talentos e onde os pilotos amadores devem encontrar um ambiente competitivo, acessível e sustentável.
A questão agora é saber se os responsáveis pela modalidade (leia-se FPAK) estarão dispostos a promover as mudanças necessárias para devolver aos regionais a atratividade e os números de inscritos de outros tempos.



