
O segundo dia do Rali da Madeira foi a antítese do que se passou no primeiro dia, onde a emoção competitiva esteve um pouco arredada da prova, mesmo tendo-se lutado por alguns lugares da geral, embora em posições inferiores.
Tirando a especial da abertura do segundo dia, a famosa passagem pela Chão da Lagoa, onde existia a expetativa de saber quem iria atacar, depressa Miguel Nunes (em termos de geral e do Campeonato da Madeira) e Armindo Araújo (no que às contas do Campeonato de Portugal de Ralis diz respeito) mostraram aos seus adversários diretos (João Silva e Rúben Rodrigues, respetivamente) que não estavam dispostos a abdicar das suas posições, aumentando as sus vantagens em termos de tempo.
A partir daí (faltando a dupla passagem pelos três troços finais do rali) e ainda com muito rali para realizar, ficou evidente que só um percalço mecânico ou furo poderia alterar as “contas” entre os primeiros classificados, o que na realidade não se veio a verificar. A única alteração de registo foi a troca de posição entre João Silva e Armindo Araújo, que acabou por ter só mesmo efeito na classificação final absoluta da prova, mas nada alterou em termos de contas para os campeonatos da Madeira e de Portugal.
Miguel Nunes acabou por ter uma vitória “cerebral” no seu rali, depois de uma primeira etapa em que foi rapidíssimo, mas em que soube gerir todos os restantes momentos do rali de uma forma implacável para a concorrência. Provavelmente terá sido a melhor vitória de sempre de Miguel Nunes enquanto piloto de ralis, vencendo um rali em que tinha grandes adversários com aspirações centradas unicamente no primeiro lugar.
João Silva também fez um excelente Rali da Madeira. Faltou-lhe um pouco mais de competitividade no primeiro dia, para poder aspirar a algo mais neste rali, mas no segundo dia percebeu que não valia a pena entrar em loucuras que comprometem-se este resultado, embora passe mais um ano sem a ambicionada vitória nesta prova.
A luta pelo “regional” da Madeira continua ao rubro, mas Nunes reforçou a liderança face a João Silva, mas tudo continua em aberto para as decisões do título. Refira-se ainda a excelente prestação de Miguel Caires, num Skoda, ficando em terceiro lugar, embora distante dos seus adversários.
Quanto a Armindo Araújo saiu da Madeira completamente na “mó de cima”. O Armindo dos velhos tempos (leia-se da época passada) esteve na Madeira e a exibição (não só no primeiro dia) correspondeu aos seus objetivos: dominar nas contas do CPR e relançar de alguma forma a competição, numa altura em que faltam quatro provas para terminar, tendo o piloto do Skoda um resultado já na “carteira” para deitar fora.
Digamos que Rúben Rodrigues, no Toyota Yaris, também não esteve nada mal neste rali, atendendo a que a sua experiência na prova é inferior (muito inferior) à dos seus adversários. É certo que esteve sempre atrás de Armindo Araújo, mesmo quando o carro não teve problemas com a pop-off, mas também é certo que nunca foi incomodado por mais nenhum piloto do CPR em todo o rali, pelo que o segundo lugar da geral (nas contas do CPR) é um excelente resultado e que lhe permite ainda reforçar a sua posição de liderança no campeonato.
No terceiro lugar da geral para o CPR ficou Pedro Almeida. Os problemas de travões e um toque num passeio (no primeiro dia), aliaram-se ao desconhecimento que já trazia dos troços, mas fazer terceiro lugar não deixa de ser positivo, mesmo que nas contas do campeonato fique mais distante de Rúben Rodrigues. No derradeiro dia ainda se afastou mais de Ricardo Teodósio, que ameaçava um pódio, acabando o piloto da Citroen por ficar no quarto lugar, tendo feito uma prova em que nunca esteve verdadeiramente em condições de lutar abertamente pelos três primeiros lugares.
O TOP5 das contas do CPR ficou para Hugo Lopes, fazendo uma prova inteligente que lhe permitiu rodar bastante com o seu I20 e que é muito importante para as próximas provas. Um forcing no derradeiro troço permitiu ao piloto da Hyundai subir uma posição, por troca com Pedro Meireles, que fez também um excelente rali.
No Campeonato de Portugal de Ralis de duas rodas motrizes, vitória para João Rodrigues, seguido por Pedro Câmara (a 15,9s), com Hélder Miranda em terceiro, todos em Peugeot 208 Rally4.
VENCEDORES DE TROÇOS
Kris Meeke (10); Giandomenico Basso (1); Miguel Nunes (3); Armindo Araújo (1)
COMANDANTES SUCESSIVOS
Kris Meeke (Pec 1); Giandomenico Basso (Pec 2 a 4); Miguel Nunes (Pec 5 a 15)
CLASSIFICAÇÕES FINAIS
| 1.º | MIGUEL NUNES / JOÃO PAULO | ŠKODA FABIA RS RALLY2 | 2H03M57,0S |
| 2.º | JOÃO SILVA / LUÍS RODRIGUES | TOYOTA GR YARIS RALLY2 | (+31,3S) |
| 3.º | ARMINDO ARAÚJO / LUÍS RAMALHO | ŠKODA FABIA RS RALLY2 | (+54,9S) |
| 4.º | MIGUEL CAIRES / MARCO MACEDO | ŠKODA FABIA RS RALLY2 | (+1M29,1S) |
| 5.º | RÚBEN RODRIGUES / RUI RAIMUNDO | TOYOTA GR YARIS RALLY2 | (+1M35,5S) |
| 6.º | PEDRO ALMEIDA / ANTÓNIO COSTA | TOYOTA GR YARIS RALLY2 | (+1M58,2S) |
| 7.º | RICARDO TEODÓSIO / JOSÉ TEIXEIRA | CITROËN C3 RALLY2 | (+2M15,8S) |
| 8.º | HUGO LOPES / MAGDA OLIVEIRA | HYUNDAI I20 N RALLY2 | (+2M40,8S) |
| 9.º | PEDRO MEIRELES / MÁRIO CASTRO | ŠKODA FABIA RS RALLY2 | (+2M42,1S) |
| 10.º | DIOGO MARUJO / JORGE CARVALHO | ŠKODA FABIA RALLY2 EVO | (+3M41,5S) |



