
Um dos grandes momentos do Rali da Água de 2026 aconteceu precisamente antes da prova ir para a estrada, quando a organização foi obrigada a mudar o itinerário rapidamente em 24 horas, depois da DGT em Espanha ter dado parecer negativo à utilização dos troços em Espanha. A única critica que fica ao CAMI foi não ter ainda explicado a razão do parecer ter sido negativo, atendendo até à experiência (positiva) dos anos anteriores em que a prova também se tinha disputado em Espanha. Foram diversas as razões que ouvimos, mas nenhuma oficial e, por isso, não as iremos divulgar, mas a verdade é que a culpa tem de ser de alguém e alguém tem que assumir as responsabilidades.
Com este grande revés (mais um a manchar o Campeonato de Portugal de Ralis de 2026), a organização do CAMI conseguir e bem dar a volta por cima e encontrar uma solução para “desenrascar”, que passou pela possibilidade de fazer triplas passagens pelos troços que iam ser realizados em Portugal. Foi uma excelente solução de recurso e até boa para o público, embora tenha comportado alguns riscos de segurança, fruto dos troços terem ficado demasiado sujos e perigosos, algo que todos os pilotos fizeram questão de frisar. Apesar das muitas saídas de estrada, felizmente correu tudo bem e a organização conseguiu dar resposta e esteve à altura da responsabilidade de ter montado um rali em cima do joelho.
O feliz anúncio no início da temporada, por parte da FPAK, de que os relatórios das provas do CPR iam ser conhecidos (infelizmente são só conhecidos os resultados), trouxe pelo menos benefícios à dinâmica promocional e organizacional dos ralis. Nota-se mais cuidado com alguns detalhes nas provas e, neste particular, o CAMI não poupou esforços na questão da segurança, com zonas bem marcadas e delimitadas. De um modo geral, na envolvência da prova, esta foi das melhores edições do Rali da Água.
O CAMI continua a querer colocar a sua prova em patamares mais altos que o CPR. Essa continua a ser a vontade dos seus dirigentes que procuram por outros apoios (leia-se investimento) que leve este rali mais além. As diversas entidades regionais, nota-se que estão com a prova, mas começa a ser altura de pensar que atualmente os custos do CPR estão elevadíssimos e ainda vão ser mais elevados com a integração de uma prova do Europeu. Talvez seja altura de a FPAK dizer o que pretende do CPR para 2027 e para o futuro e alinhar com os clubes a estratégia a seguir.



