
A edição 2026 do Vodafone Rally de Portugal vai ficar marcada pela despedida dos atuais Rally1, que nas últimas épocas têm marcado desportivamente o Campeonato do Mundo de Ralis.
Carros de ralis de sonho, ultra-competitivos e conduzidos por alguns dos melhores e mais rápidos pilotos do mundial, têm proporcionado aos fãs de ralis alguns dos melhores momentos de sempre do Mundial, fazendo-nos recordar, muitas vezes, os tempos dos saudosos Grupo B, igualmente espetaculares e rápidos, mas muito menos eficazes que os atuais Rally1.
Na expetativa de nunca mais vermos estes carros na estrada em Portugal, os verdadeiros adeptos de ralis têm uma oportunidade que possivelmente não mais voltarão a ter, que é ver os mais rápidos carros de ralis de sempre a evoluir nas especiais de terra em Portugal.
Será por isso uma edição do Rally de Portugal já com sabor agridoce (a última vez que vemos os Rally1) e também de grande interrogação quanto ao futuro e se alguma vez voltaremos a ver um espetáculo tão bom nos troços como aquele que temos visto nos últimos anos.
Por isso, na minha opinião está é uma edição para desfrutar ao máximo e aproveitar cada segundo e cada momento com a máxima emoção de estarmos a ver alguma coisa que não sabemos se algum dia voltaremos a ver.
Parece que estou a ser um pouco derrotista em relação ao futuro da modalidade, mas não é esse o sentido que quero dar às minhas palavras. O que quero transmitir é precisamente o facto de aproveitarmos ao máximo para ver um dos melhores espetáculos do mundo, que durante 4 dias vai estar nos troços portugueses.
Ainda por cima, este ano, em que o centro operacional do Rally de Portugal fará a sua despedida rumo a Viseu, onde aterrará em 2027 e 2028, sendo bem provável que o norte possa perder uma parte dos cerca de dois terços do rali que atualmente compõem a sua estrutura. Mas isso, veremos a seu tempo.
A edição deste ano, surge ligeiramente remodelada, sem grandes novidades em termos de troços, embora a estrutura seja diferente e, talvez, até para melhor, pois irá permitir a todos aqueles que acompanham na estrada esta prova, possam ver os carros mais um dia face às edições anteriores.
Por exemplo, o tradicional shakedown é antecipado um dia e disputa-se em novo horário (a meio do dia), enquanto no segundo dia, não teremos apenas a super-especial na Figueira da Foz, mas já mais dois troços na zona de Águeda. Depois os restantes três dias são sensivelmente a mesma coisa dos últimos anos (com a novidade da Lousã), com alguns ajustes (troços em sentido contrário) que poderá consultar na tabela de troços e horários.
Quer tudo isto dizer que vamos ter mais possibilidades de ver os verdadeiros artistas do mundial de ralis, os pilotos, por mais vezes, o que significa que podemos ter mais espetáculo e mais emoção na estrada.
Face às mais recentes provas, a Portugal virão 11 carros da categoria Rally1 (mais do que a média deste ano no WRC), onde não falta sequer o recordista de vitórias, Sebastien Ogier. Nas formações das equipas surge também como novidade a reintegração na Hyundai de Dani Sordo (sim, o Campeão Nacional de Ralis de 2025), enquanto na Ford, Martins Sesks é a novidade.
Não querendo antecipar cenários quanto a vencedores, basta olhar para a lista de inscritos e perceber que existem quatro ou cinco nomes com reais hipóteses de alcançar o lugar mais alto do pódio, o que pretendo deixar como mensagem é que certamente será um grande espetáculo para apreciar e, lá está, disfrutar ao máximo. Mas para que tal acontece também, todos nós, adeptos de ralis, temos a nossa missão a cumprir, que passa por respeitar integralmente as indicações da organização para que se evite problemas de segurança.
Independentemente do que venha a ser o Mundial de ralis no futuro, será sempre melhor termos a nossa maior prova de estrada no calendário mundial, do que não a termos por razões de segurança.
Bons ralis a todos, mas em segurança
Um abraço
Paulo Homem
Diretor www.ralisonline.net
PS: texto publicado no editorial a AM Motores



