
O Campeonato de Portugal de Ralis de 2026 vai ser decidido no Rallye Vidreiro Centro de Portugal, com três pilotos ainda matematicamente na luta pelo título. O abandono de Rúben Rodrigues no Rally 6 Cities North of Portugal e o segundo lugar de Pedro Almeida provocaram uma reviravolta nas contas do campeonato, enquanto a vitória de Armindo Araújo, acompanhada pelos três pontos da Power Stage, mantém também o piloto de Santo Tirso na discussão. Depois de considerados os descartes (pontuações a deitar fora), Pedro Almeida apresenta uma vantagem efetiva de apenas dois pontos sobre Rúben Rodrigues, com Armindo Araújo a necessitar de uma combinação de resultados mais favorável.
O Campeonato de Portugal de Ralis chega à última prova da temporada com um cenário que poucos antecipariam há algumas semanas. Rúben Rodrigues, que liderou grande parte da competição e chegou a apresentar uma vantagem significativa sobre os adversários, viu a sua posição comprometida por dois abandonos consecutivos, primeiro no Rallye Casinos do Algarve e agora no Rally 6 Cities North of Portugal.
Na prova organizada pela Demoporto, o piloto açoriano, acompanhado por Rui Raimundo, voltou a enfrentar problemas mecânicos, desta vez relacionados com a suspensão do Škoda Fabia RS Rally2, sendo obrigado a abandonar quando ainda estava envolvido na luta pelas primeiras posições do CPR.
Em sentido contrário, Pedro Almeida aproveitou os problemas do principal adversário para recuperar a desvantagem pontual. Depois de ter vencido no Algarve, o piloto da Toyota GAZOO Racing Caetano Portugal, acompanhado por António Costa, terminou o Rally 6 Cities na segunda posição entre os concorrentes do CPR, somando mais 20 pontos.
Contudo, Pedro Almeida não conquistou qualquer ponto na Power Stage, situação que acabou por limitar a vantagem com que chega à última prova do campeonato.
Desta forma, o piloto da Toyota passou dos 119 para os 139 pontos acumulados, enquanto Rúben Rodrigues permaneceu com os 125 pontos que tinha antes da penúltima jornada.
Mas o Rally 6 Cities teve ainda outro protagonista decisivo nas contas do campeonato. Armindo Araújo, acompanhado por Luís Ramalho, conquistou a primeira vitória da temporada no CPR e foi também o mais rápido na Power Stage. Os 28 pontos somados permitiram-lhe passar dos 84 para os 112 pontos, mantendo possibilidades matemáticas de conquistar o título.
Os descartes deixam Pedro Almeida e Rúben Rodrigues separados por dois pontos
O regulamento do Campeonato de Portugal de Ralis estabelece que apenas são considerados os sete melhores resultados das oito provas pontuáveis.
Esta regra assume uma importância fundamental na decisão do título, uma vez que altera significativamente a leitura da classificação acumulada.
Rúben Rodrigues, que abandonou no Algarve e no Rally 6 Cities, poderá descartar um desses resultados a zero. Assim, mantém os 125 pontos conquistados anteriormente e poderá acrescentar integralmente a pontuação que conseguir no Rallye Vidreiro.
Já Pedro Almeida apresenta uma situação diferente. O piloto da Toyota tem atualmente 139 pontos acumulados, mas, caso consiga no Vidreiro um resultado superior aos 12 pontos somados no Rali da Água, terá de descartar essa pontuação.
Considerando esse descarte, a sua base de referência passa a ser de 127 pontos, contra os 125 de Rúben Rodrigues.
Na prática, Pedro Almeida chega ao Rallye Vidreiro com apenas dois pontos de vantagem efetiva sobre o piloto açoriano, estando ainda 28 pontos em disputa, incluindo os três da Power Stage.
É, por isso, uma diferença muito reduzida, que deixa os dois principais candidatos praticamente em igualdade de circunstâncias.
Armindo Araújo ainda pode chegar ao título
A grande novidade resultante das contas do Rally 6 Cities é a manutenção de Armindo Araújo na luta matemática pelo campeonato.
O piloto de Santo Tirso chegou à prova nortenha com 84 pontos, mas a vitória e os três pontos adicionais da Power Stage permitiram-lhe alcançar os 112 pontos.
Ao contrário do que uma leitura direta da classificação poderá sugerir, Armindo Araújo ainda tem hipóteses de conquistar o título, uma vez que poderá descartar o abandono registado no Rali da Água.
Se vencer o Rallye Vidreiro e conquistar também os três pontos da Power Stage, somará mais 28 pontos, atingindo um total de 140 pontos válidos.
Nesse cenário, Armindo Araújo poderá ser campeão se Pedro Almeida não terminar acima do quinto lugar e não somar pontos na Power Stage, e se Rúben Rodrigues não terminar acima do quarto lugar, também sem pontos extra.
Por exemplo, uma vitória de Armindo Araújo, acompanhada da vitória na Power Stage, conjugada com o quarto lugar de Rúben Rodrigues e o quinto de Pedro Almeida, sem pontos adicionais para estes dois pilotos, daria ao piloto de Santo Tirso o título nacional com 140 pontos, contra 139 dos seus adversários.
Trata-se de uma combinação exigente, mas matematicamente possível, pelo que Armindo Araújo não pode ser excluído da discussão pelo campeonato.
Pedro Almeida será campeão se vencer o Vidreiro
Apesar da reduzida vantagem, Pedro Almeida depende apenas de si próprio para conquistar o título nacional.
Se vencer o Rallye Vidreiro, somará pelo menos 25 pontos, atingindo os 152 pontos válidos depois de aplicado o descarte do Rali da Água.
Mesmo que Rúben Rodrigues termine em segundo e conquiste os três pontos da Power Stage, ficará com 148 pontos, insuficientes para ultrapassar o piloto da Toyota.
Por outro lado, se Pedro Almeida não conseguir vencer e Rúben Rodrigues terminar à sua frente, a atribuição do título poderá depender dos pontos conquistados na Power Stage.
Rúben Rodrigues continua a depender apenas de si próprio
Apesar dos dois abandonos consecutivos, Rúben Rodrigues também mantém o campeonato inteiramente ao seu alcance.
Se vencer o Rallye Vidreiro e a respetiva Power Stage, terminará com 153 pontos, garantindo matematicamente o título, independentemente do resultado de Pedro Almeida ou Armindo Araújo.
Mesmo que não conquiste qualquer ponto extra, uma vitória no Vidreiro poderá ser suficiente.
Nesse cenário, Rúben Rodrigues alcançará os 150 pontos. Caso Pedro Almeida termine no segundo lugar, sem pontos na Power Stage, ficará com 147 pontos, entregando o título ao piloto açoriano.
Se Pedro Almeida terminar em segundo e conquistar dois pontos extra, chegará aos 149 pontos, ainda insuficientes para superar Rúben Rodrigues.
Contudo, se o piloto da Toyota terminar em segundo e vencer a Power Stage, conquistando os três pontos adicionais, ambos terminarão empatados com 150 pontos, obrigando à aplicação dos critérios de desempate regulamentares.
Esta possibilidade demonstra bem a importância que poderá assumir a última classificativa do campeonato.
Uma Power Stage que pode decidir o campeonato
Com apenas dois pontos de diferença efetiva entre Pedro Almeida e Rúben Rodrigues, os três pontos atribuídos ao vencedor da Power Stage poderão ser determinantes.
O próprio Rally 6 Cities demonstrou essa importância. Armindo Araújo conquistou os três pontos adicionais e reforçou as suas possibilidades matemáticas, enquanto Pedro Almeida ficou sem qualquer ponto extra, reduzindo a vantagem que poderia levar para o Vidreiro.
Na última prova, não serão apenas as posições de Pedro Almeida e Rúben Rodrigues a interessar. A presença de Armindo Araújo, José Pedro Fontes, Ricardo Teodósio e outros pilotos competitivos poderá interferir diretamente na classificação e na distribuição dos pontos.
Uma vitória de Armindo Araújo, por exemplo, impedirá qualquer um dos dois principais candidatos de somar os 25 pontos atribuídos ao primeiro classificado, podendo abrir diferentes combinações para a decisão do título.
Três candidatos para uma decisão no Vidreiro
Depois de uma temporada marcada pelo domínio inicial de Rúben Rodrigues, pela recuperação de Pedro Almeida nas últimas provas e pelo regresso de Armindo Araújo às vitórias, o Campeonato de Portugal de Ralis de 2026 chega ao Rallye Vidreiro Centro de Portugal, nos dias 20 e 21 de novembro, com três pilotos ainda matematicamente na discussão pelo título.
Pedro Almeida parte na liderança, com 127 pontos de referência depois dos descartes, contra os 125 de Rúben Rodrigues. Armindo Araújo soma 112 pontos e mantém hipóteses, embora necessite de vencer e de contar com resultados menos favoráveis dos adversários.
Pedro Almeida será campeão se vencer o rali. Rúben Rodrigues também conquistará o título se vencer a prova e a Power Stage. Já Armindo Araújo terá de conseguir uma prestação praticamente perfeita e esperar que os dois adversários percam pontos importantes.
Com 28 pontos ainda disponíveis e diferentes combinações possíveis, o título nacional poderá ficar em aberto até à última classificativa do Rallye Vidreiro, prometendo uma das decisões mais interessantes das últimas temporadas do Campeonato de Portugal de Ralis.



