
A Toyota GAZOO Racing World Rally Team anunciou uma profunda transformação da sua estrutura para o Campeonato do Mundo de Ralis de 2027. A marca japonesa vai competir com duas equipas distintas, dois modelos Rally1 e um conjunto de pilotos que inclui Elfyn Evans, Oliver Solberg, Sami Pajari, Ott Tänak, Takamoto Katsuta e Kalle Rovanperä. O regresso do nome Celica e a recuperação de dois antigos campeões mundiais são os grandes destaques de uma estratégia que promete marcar a nova era do WRC.
A Toyota apresentou, esta terça-feira, 3 de novembro, em Jyväskylä, na Finlândia, a sua estrutura para 2027, confirmando uma reorganização sem precedentes na sua participação no Campeonato do Mundo de Ralis.
A partir da próxima temporada, a marca terá duas equipas oficiais, denominadas TOYOTA RACING e GAZOO Racing TOYOTA, que competirão com modelos diferentes, mas desenvolvidos segundo o mesmo regulamento técnico.
A TOYOTA RACING utilizará o novo GR Celica Rally1, recuperando uma das designações mais emblemáticas da história da marca nos ralis, enquanto a GAZOO Racing TOYOTA continuará a apostar no GR Yaris Rally1, numa nova geração desenvolvida para as regras de 2027.
Embora ambas as estruturas sejam geridas pela mesma organização, a Toyota pretende que disputem as provas em condições de igualdade, criando uma competição interna que deverá contribuir para o desenvolvimento dos automóveis e para o aumento da competitividade do campeonato.
O objetivo passa por alinhar até seis automóveis oficiais em cada prova, embora a participação de Kalle Rovanperä esteja inicialmente prevista apenas para um programa parcial.
Toyota Racing aposta em Evans, Solberg e Pajari
A nova TOYOTA RACING terá como principal referência Elfyn Evans, que conquistou o título mundial de pilotos em 2026, acompanhado por Scott Martin. A dupla inicia a sua oitava temporada consecutiva com a Toyota, depois de finalmente conquistar o título mundial, após cinco ocasiões em que terminou o campeonato na segunda posição. Evans garantiu o campeonato de 2026 numa decisão particularmente equilibrada, terminando com apenas cinco pontos de vantagem sobre Oliver Solberg e seis sobre Sami Pajari.
Precisamente Solberg e Pajari serão os seus companheiros de equipa na nova estrutura, formando um trio que ocupou as três primeiras posições do campeonato de 2026.
Oliver Solberg continuará acompanhado por Elliott Edmondson, depois de uma primeira temporada completa ao mais alto nível em que conquistou três vitórias e foi o piloto que mais classificativas venceu. O sueco, campeão do WRC2 em 2025 com o GR Yaris Rally2, confirmou em 2026 o potencial que já tinha demonstrado nas categorias inferiores.
A terceira dupla será composta por Sami Pajari e Marko Salminen. Os finlandeses terminaram a temporada de 2026 no terceiro lugar do campeonato, somando três vitórias e nove pódios em 13 provas, números particularmente relevantes numa segunda época completa na categoria principal.
Tänak regressa à Toyota sete anos depois do título mundial
Na GAZOO Racing TOYOTA, o grande destaque é o regresso de Ott Tänak e Martin Järveoja, que conquistaram o Campeonato do Mundo de 2019 ao volante do Toyota Yaris WRC.
A dupla estónia regressa à estrutura com a qual alcançou o maior sucesso da sua carreira, depois de ter conquistado dez vitórias em provas do Mundial durante as duas temporadas em que representou anteriormente a marca. Tänak esteve afastado da competição, mas já tinha retomado a colaboração com a Toyota durante 2026, desempenhando funções ligadas ao desenvolvimento do novo projeto técnico.
A experiência do estónio será particularmente importante numa temporada marcada pela introdução de novos regulamentos e pela necessidade de desenvolver automóveis praticamente de raiz. Ao seu lado estarão Takamoto Katsuta e Aaron Johnston, que chegam a 2027 depois da melhor temporada da carreira do piloto japonês.
Katsuta conquistou em 2026 as suas primeiras vitórias no WRC, triunfando no Quénia e na Croácia, e tornou-se o primeiro piloto japonês a liderar a classificação do Campeonato do Mundo.
Rovanperä regressa aos ralis com programa parcial
Outra das grandes novidades é o regresso de Kalle Rovanperä e Jonne Halttunen, depois de um ano afastados da competição no WRC. A dupla finlandesa, campeã mundial em 2022 e 2023, regressará ao volante do novo GR Yaris Rally1, embora com um programa limitado a algumas provas selecionadas.
Rovanperä, que se tornou o mais jovem campeão mundial da história dos ralis, volta assim a integrar a estrutura da Toyota numa fase de profunda transformação técnica da modalidade. A participação parcial do finlandês permitirá à equipa recorrer a outros pilotos ao longo da temporada.
Entre as possibilidades está Sébastien Ogier, nove vezes campeão mundial, que continuará ligado à família GAZOO Racing e poderá disputar algumas provas.
A Toyota pretende igualmente manter oportunidades para jovens talentos provenientes de programas como o GR WRC Challenge Program.
Dois carros diferentes, mas com prestações equivalentes
A introdução do GR Celica Rally1 representa um dos acontecimentos mais relevantes desta nova fase da Toyota no Mundial.
O nome Celica está profundamente ligado à história da marca nos ralis, tendo sido utilizado em automóveis que conquistaram títulos mundiais e vitórias em algumas das provas mais importantes da modalidade.
Em 2027, a designação regressará à competição com um automóvel desenvolvido segundo o novo regulamento WRC Car.
O GR Celica Rally1 e o GR Yaris Rally1 terão de cumprir as mesmas regras técnicas, com níveis equivalentes de potência e desempenho.
A nova regulamentação pretende tornar a categoria principal mais acessível, reduzindo as barreiras à participação e criando condições para uma maior competitividade entre construtores e equipas.
Apesar de passarem a competir sob duas designações diferentes, ambas as estruturas continuarão a ser geridas a partir da sede da Toyota em Jyväskylä, na Finlândia.
A apresentação da nova formação aconteceu depois da cerimónia de lançamento da construção de um novo centro técnico da equipa, em Majajärvi, realizada a 2 de novembro.
Entretanto, a Toyota conclui esta terça-feira seis dias de testes de simulação de rali com o protótipo desenvolvido para 2027.
O processo de homologação dos novos automóveis deverá ficar concluído antes do final de 2026, sendo posteriormente divulgados mais detalhes técnicos e as decorações dos dois modelos.
Toyota chega a 2027 depois de seis títulos consecutivos
A reorganização surge depois de uma temporada de 2026 em que a Toyota conquistou o seu sexto título consecutivo de construtores, igualando um recorde histórico da modalidade.
Todos os cinco pilotos oficiais conseguiram múltiplas vitórias ao longo do ano, enquanto a luta pelo título de pilotos se prolongou até à última classificativa da temporada.
A conquista do campeonato por Elfyn Evans, com margens mínimas sobre Solberg e Pajari, confirmou o domínio da marca, mas também a enorme competitividade interna.
A Toyota pretende agora transportar essa competitividade para duas equipas que disputarão diretamente as vitórias, aproveitando a experiência dos campeões mundiais e o potencial dos pilotos mais jovens.
As declarações dos seis pilotos
Elfyn Evans: «Será muito diferente daquilo a que estamos habituados»
“Esta foi mais uma temporada forte para nós e para a equipa, e foi obviamente muito especial conseguir finalmente conquistar o Campeonato do Mundo, depois de termos estado tão perto algumas vezes. Estou grato a todos os que continuaram a apoiar-nos e a acreditar em nós, especialmente à equipa.
Estou muito feliz por iniciar a nossa oitava temporada com a Toyota, numa altura em que entramos nesta nova era. Penso que partilhamos uma mentalidade semelhante, de querer sempre melhorar e alcançar mais, pelo que os nossos objetivos estão muito alinhados.
A atenção já está virada para o próximo ano e para aquilo que aí vem com o novo carro. Será muito diferente daquilo a que estamos habituados, pelo que haverá trabalho pela frente para todos se adaptarem e conseguirem tirar o máximo partido dele.
Estou ansioso por enfrentar esse desafio e espero que possamos continuar a alcançar bons resultados juntos.”
Oliver Solberg: «É um sonho ser piloto da Toyota»
“Tive um primeiro ano completo incrível com a equipa. Foi uma temporada com muitos altos e baixos, com momentos fantásticos, mas também algumas situações difíceis. Aprendemos muito e lutar pelo campeonato até ao fim foi algo especial. Agora quero aproveitar os aspetos positivos e tudo aquilo que aprendi para olhar em frente. É um sonho para mim ser piloto da Toyota e é extremamente entusiasmante entrar nesta nova era em conjunto e participar no desenvolvimento de um carro completamente novo. A próxima temporada será um desafio totalmente novo para todos, pelo que teremos novamente muito para aprender e a que nos adaptar. Espero que possamos proporcionar uma grande competição para todos desfrutarem. Vou continuar a dar o meu melhor, a desfrutar da condução e das lutas, e a tentar alcançar mais bons resultados.”
Sami Pajari: «Provámos que podemos ser competitivos em diferentes tipos de ralis»
“Penso que podemos estar muito satisfeitos com a nossa temporada de 2026 e com os progressos que fizemos. Conseguir três vitórias e nove pódios e lutar pelo campeonato até à última prova foi mais do que poderíamos esperar. Penso que demonstrámos que podemos ser competitivos em muitos tipos diferentes de ralis, e isso dá-me muita confiança para o futuro. Estou muito grato à equipa por nos apoiar e por nos dar esta oportunidade de crescer e evoluir. Ainda sou jovem e sei que existem áreas em que podemos continuar a melhorar e tornar-nos ainda mais fortes no futuro. O próximo ano será algo completamente novo para todos, com os novos carros, pelo que haverá mais coisas para aprender, e estou ansioso por enfrentar esse desafio. Espero que possamos aproveitar aquilo que já alcançámos, continuar a trabalhar e desfrutar de mais grandes momentos.”
Ott Tänak: «É uma honra regressar à equipa com que fomos campeões mundiais»
“É uma honra estar de regresso à GAZOO Racing TOYOTA e à equipa com a qual eu e o Martin nos tornámos campeões mundiais. Temos excelentes recordações da nossa anterior passagem por aqui e tenho muito respeito pelas pessoas e por aquilo que conseguiram alcançar. Por isso, foi muito bom voltar a trabalhar com elas este ano, numa função ligada ao desenvolvimento. Gostei de ter algum tempo afastado da competição, mas a vontade de conduzir continuou a ser muito forte, e foi um desafio interessante envolver-me neste novo projeto. Com alterações técnicas tão importantes, houve muito para descobrir e aprender durante este processo. Estou entusiasmado por continuar esse trabalho e por ter a oportunidade de competir com o novo carro na próxima temporada. Será um novo começo para todos e ainda existem muitas incógnitas, mas estou ansioso por regressar às classificativas e trabalhar com a equipa para alcançar bons resultados.”
Takamoto Katsuta: «O meu objetivo continua a ser lutar pelo título mundial»
“Este foi um ano especial para mim, sobretudo porque consegui alcançar um objetivo que perseguia há muito tempo: conquistar as minhas primeiras vitórias no WRC. Estou muito grato a todos os que me apoiaram ao longo deste percurso, mas continuo a ter um objetivo ainda maior, que é lutar por um título mundial. Por isso, tenho de continuar a trabalhar, a esforçar-me e a melhorar. Sinto muito orgulho e considero-me muito afortunado por ter conduzido alguns dos carros de ralis mais rápidos de sempre graças a esta equipa, e agora estou realmente ansioso por enfrentar um novo desafio. Será muito interessante acompanhar o desenvolvimento destes novos carros e vou tentar adaptar-me o mais rapidamente possível. Também será muito especial ter o Ott e o Kalle novamente ao meu lado. São ambos grandes amigos, que me ajudaram muito ao longo dos anos, e estou muito entusiasmado por trabalhar e evoluir com eles enquanto companheiros de equipa.”
Kalle Rovanperä: «Comecei naturalmente a sentir falta de conduzir»
“Estou muito feliz por ter a oportunidade de voltar a competir em ralis com a GAZOO Racing TOYOTA e com o Jonne no próximo ano. Esta equipa sempre foi como uma família para mim e, de certa forma, nunca senti verdadeiramente que a tivesse deixado. Tenho gostado da oportunidade de fazer coisas diferentes, mas os ralis foram uma parte enorme da minha vida e comecei naturalmente a sentir falta de conduzir. A principal prioridade deste ano passou a ser a minha saúde e, quando voltei a estar em condições de conduzir, a equipa ofereceu-me a oportunidade de testar o carro de desenvolvimento. Foi a partir daí que começámos a fazer planos para a próxima temporada. É um momento interessante para regressar e, embora os novos carros sejam muito diferentes daqueles que utilizávamos anteriormente, isso torna o desafio ainda mais entusiasmante. O mais importante será desfrutar da condução e da competição, aprender sobre o carro e perceber aquilo que podemos conseguir juntos.”



