
Armindo Araújo e Luís Ramalho terminaram a primeira etapa do Rally 6 Cities North of Portugal na liderança do Campeonato de Portugal de Ralis, depois de um dia marcado por uma intensa luta com Pedro Almeida e Rúben Rodrigues, mas também por troços extremamente duros, com muitos regos, pisos degradados, furos, acidentes e várias desistências. No final do primeiro, os três candidatos aos primeiros lugares ficaram separados por apenas 19,1 segundos.
A primeira etapa do Rally 6 Cities North of Portugal confirmou todas as dificuldades que se antecipavam para uma das provas mais exigentes da temporada. Os troços de terra, progressivamente mais degradados com a passagem dos concorrentes, apresentaram muitos regos e zonas particularmente castigadas, colocando à prova pilotos e sobretudo as mecânicas dos carros.
Num dia em que a gestão da mecânica e a capacidade de evitar problemas foram tão importantes como a velocidade, Armindo Araújo, Pedro Almeida e Rúben Rodrigues protagonizaram uma interessante batalha pela liderança, com várias mudanças de posição ao longo das especiais.
O arranque da prova pertenceu a Rúben Rodrigues, que foi o mais rápido na primeira especial, com apenas 0,7 segundos de vantagem sobre Pedro Almeida, enquanto Armindo Araújo se colocou no terceiro lugar, a 2,1 segundos, numa fase em que o rali passou pela Penha em Guimarães.
Contudo, a resposta de Pedro Almeida não demorou logo no primeiro troços a sério do rali. O piloto do Toyota GR Yaris Rally2 venceu Cabeceiras de Basto 1, conquistando a liderança da classificação geral, com Armindo Araújo a subir ao segundo lugar.
Na terceira especial, Ribeira de Pena 1, Rúben Rodrigues voltou a atacar e assinou o melhor tempo, recuperando a liderança. O piloto do Škoda Fabia RS Rally2 aproveitou os 18,24 quilómetros deste troço para ganhar 12,3 segundos a Pedro Almeida e 12,7 segundos a Armindo Araújo.
A vantagem de Rúben Rodrigues, porém, não resistiu à especial seguinte. Em Boticas/Vale do Tâmega 1, Pedro Almeida voltou a ser o mais rápido, reduzindo a diferença para o primeiro classificado a apenas 2,6 segundos. Na passagem por Boticas/Senhor do Monte 1, nova vitória de Pedro Almeida, que regressou ao comando, agora com uma vantagem mínima de 1,2 segundos sobre Rúben Rodrigues. Armindo Araújo permanecia na luta, a 10,8 segundos.
A segunda passagem pelos troços veio alterar a dinâmica da classificação. Rafael Rêgo destacou-se em Cabeceiras de Basto 2, conseguindo a sua primeira vitória numa especial do dia, enquanto Armindo Araújo, segundo mais rápido, começou a aproximar-se dos dois primeiros classificados, alegando que tinha melhores afinações no seu carro.
Rúben Rodrigues perdeu algum terreno nesta fase, terminando a sexta especial a 11,5 segundos de Pedro Almeida, enquanto Armindo Araújo estava a 10,2 segundos do líder.
Foi, contudo, na segunda passagem por Ribeira de Pena que a luta ganhou novo interesse. Num troço particularmente exigente, Armindo Araújo foi o mais rápido, com Rúben Rodrigues a registar o segundo tempo. Pedro Almeida não conseguiu acompanhar o andamento dos seus adversários, tendo sofrido um furo, e perdeu 15,7 segundos para Armindo Araújo.
Esta situação permitiu ao piloto de Santo Tirso assumir pela primeira vez a liderança da prova, com Rúben Rodrigues a subir ao segundo lugar, a 4,8 segundos, e Pedro Almeida a cair para terceiro, a apenas 5,5 segundos da frente.
A segunda passagem por Boticas/Vale do Tâmega confirmou o excelente momento de Armindo Araújo. O piloto da equipa oficial Škoda voltou a vencer, aumentando a vantagem para Pedro Almeida para 7,4 segundos, enquanto Rúben Rodrigues passou a estar a 11,4 segundos.
Na última especial do dia, Boticas/Senhor do Monte 2, Pedro Almeida ainda reagiu com mais um melhor tempo, recuperando 1,9 segundos a Armindo Araújo, mas sem conseguir alterar a liderança.
Armindo Araújo terminou assim a primeira etapa com 1h17m02,8s, deixando Pedro Almeida a 5,5 segundos e Rúben Rodrigues a 19,1 segundos, diferenças que deixam a luta pelos primeiros lugares totalmente em aberto para o último dia.
“Foi um dia muito difícil, sobretudo durante a manhã, em que sentimos algumas dificuldades para conseguir ser mais rápidos. Andámos fortes, mas os tempos não refletiam o andamento que estávamos a imprimir. Durante a tarde conseguimos encontrar uma afinação mais acertada, que nos deu maior confiança e permitiu melhorar significativamente o nosso ritmo. Acabámos por assumir a liderança do Campeonato de Portugal de Ralis, o que é muito positivo depois de uma etapa tão exigente. Estamos satisfeitos com a evolução que conseguimos e agora o objetivo é continuar concentrados e manter este nível de competitividade”, afirmou Armindo Araújo no final da etapa.
Pisos muito degradados fizeram muitas vítimas
Para além da interessante batalha entre os três primeiros classificados, o grande destaque deste dia foi a dureza dos troços, que provocou várias incidências entre os concorrentes do Campeonato de Portugal de Ralis.
Hugo Lopes, que tinha iniciado a prova com um andamento competitivo ao volante do Hyundai i20 N Rally2, abandonou na primeira passagem por Ribeira de Pena devido a um problema no cubo de uma roda. Na mesma especial, Paulo Neto, que ocupava o sétimo lugar da classificação geral após a segunda especial, também foi obrigado a desistir na sequência de um acidente. Mais tarde, na segunda passagem por Ribeira de Pena, Guilherme Meireles sofreu igualmente um acidente.
A segunda passagem por Boticas/Vale do Tâmega foi também particularmente problemática, com Rafael Rêgo, que tinha vencido uma especial durante a tarde e ocupava o quinto lugar da classificação, a abandonar devido a acidente. Anton Korzun foi outro dos pilotos que ficou pelo caminho nessa mesma especial.
A outra parte do CPR
Atrás dos três primeiros, José Pedro Fontes e Inês Ponte realizaram uma etapa marcada pela regularidade, levando o Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale ao quarto lugar, a 2m41,0s do líder.
Pedro Meireles e Mário Castro terminaram na quinta posição, a apenas 3,8 segundos de José Pedro Fontes, mantendo em aberto uma interessante disputa pelo quarto lugar da classificação.
Ricardo Teodósio e José Teixeira, no Citroën C3 Rally2, concluíram a etapa em sexto, a 4m05,6s da liderança, depois de um dia em que não conseguiram acompanhar o ritmo dos principais adversários, mas em que os problemas mecânicas das primeira secção foram decisivos para tal.
Rui Borges e Inês Veiga fecharam a jornada na sétima posição, enquanto Hélder Miranda e Mariana Machado surgem em oitavo, liderando entre os concorrentes em Rally4 (e as duas rodas motrizes), à frente de Afonso Seixas e Francisco Ponte, que comandam entre os Rally5.
Apenas 9 concorrentes (sim, 9 concorrentes) terminaram a primeira etapa, com as diferenças entre o primeiro grupo de pilotos (Armindo, Rúben e Almeida) a ser enorme para os restantes, face à enorme diferença com que passavam nas especiais, o que (quer se queira, quer não) adultera muito a verdade desportiva. Mas a FPAK quer assim e não há nada a fazer!!!
COMANDANTES SUCESSIVOS
Rúben Rodrigues (Pec 1); Pedro Almeida (1); Rúben Rodrigues (Pec 3 e 4); Pedro Almeida (Pec 5 e 6); Armindo Araújo (7 a 9)
VENCEDORES DE TROÇOS
Rúben Rodrigues (2); Pedro Almeida (4); Armindo Araújo (2); Rafael Rêgo (1)
CLASSIFICAÇÃO 1ª ETAPA
Classificação do CPR após a 1.ª etapa
| Pos. | Piloto | Viatura | Tempo / Diferença |
|---|---|---|---|
| 1.º | Armindo Araújo | Škoda Fabia RS Rally2 | 1h17m02,8s |
| 2.º | Pedro Almeida | Toyota GR Yaris Rally2 | +5,5s |
| 3.º | Rúben Rodrigues | Škoda Fabia RS Rally2 | +19,1s |
| 4.º | José Pedro Fontes | Lancia Ypsilon Rally2 | +2m41,0s |
| 5.º | Pedro Meireles | Škoda Fabia RS Rally2 | +2m44,8s |
| 6.º | Ricardo Teodósio | Citroën C3 Rally2 | +4m05,6s |
| 7.º | Rui Borges | Škoda Fabia Rally2 evo | +10m39,0s |
| 8.º | Hélder Miranda | Peugeot 208 Rally4 | +12m43,7s |
| 9.º | Afonso Seixas | Renault Clio Rally5 | +20m46,2s |



