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CAMPEONATO DE PORTUGAL DE RALIS 2026

O ambiente vivido no seio da caravana do Campeonato de Portugal de Ralis, durante o Rally de Castelo Branco, está longe de ser o melhor. Entre pilotos, equipas, organização, elementos da FPAK e responsáveis de outras provas do calendário, o tema dominante continua a ser a decisão federativa que obrigou os pilotos a escolher entre pontuar no Rali de Castelo Branco ou no Rally de Lisboa.

Essa imposição acabou por ter um impacto muito negativo na prova albicastrense. A maioria dos pilotos, sobretudo os representantes das principais equipas oficiais, optou por participar no Rally de Lisboa, o que esvaziou de forma significativa a competitividade do Rali de Castelo Branco em termos de geral absoluta. No parque de assistência, muitas das conversas giraram precisamente em torno desta decisão e, sobretudo, das razões que a motivaram.

A verdade é que, entre os diversos elementos ligados à caravana do CPR com quem falámos, ninguém conseguiu explicar de forma objetiva o que esteve na origem desta imposição da FPAK. Fala-se em várias teorias: a existência de mais provas de asfalto do que de terra no calendário, a necessidade de sujeitar algumas provas de asfalto a uma escolha por parte dos pilotos, ou até o facto de uma das provas ter subido recentemente ao Campeonato de Portugal de Ralis. Mas, na prática, continuam por conhecer os fundamentos concretos da decisão da FPAK.

Esta situação voltou também a trazer para a discussão a necessidade de os pilotos terem uma voz mais ativa nas decisões que afetam diretamente o Campeonato de Portugal de Ralis. A criação de uma entidade ou estrutura que represente melhor os seus interesses voltou a ser tema de conversa, num contexto em que muitos consideram que as equipas são pouco ouvidas nas decisões tomadas pela Federação.

Outros assuntos acabaram igualmente por vir à tona. Um deles prende-se com os horários das provas. No caso do Rali de Castelo Branco, alguns pilotos e equipas apontaram como exemplo o facto deste mesmo rali terminar muito tarde no segundo dia, repetindo uma situação já vivida em 2025, em que as equipas apenas conseguiram retirar os carros do parque de assistência já durante a madrugada de sábado para domingo. Segundo vários intervenientes, este era um tema que já tinha sido levantado anteriormente, mas a estrutura horária acabou por se manter.

Também a localização dos parques de assistência foi alvo de críticas. Tal como já tinha acontecido no Rally de Lisboa, também em Castelo Branco o parque de assistência está afastado do centro nevrálgico da prova e da própria cidade, o que, na opinião de muitos pilotos e equipas, retira visibilidade ao trabalho das estruturas técnicas e afasta o público de uma componente importante do espetáculo dos ralis.

No fundo, há hoje vários temas em discussão no Campeonato de Portugal de Ralis: a necessidade de maior representação dos pilotos, o aumento dos custos, a evolução profissional das principais equipas e a dificuldade de algumas organizações em acompanhar esse mesmo nível de exigência. São questões que vão muito além de uma prova em concreto, mas que acabam por ganhar maior expressão em momentos como este que está a ser vivido no CPR.

Ainda assim, importa sublinhar que o Rali de Castelo Branco está a ser organizado com o profissionalismo habitual da Escuderia Castelo Branco. O primeiro dia correu muito bem do ponto de vista desportivo, com uma competição interessante e uma Super Especial que voltou a ser um sucesso, como já é tradição. A presença de muito público, o bom traçado e a opinião positiva dos pilotos reforçaram o valor desta componente da prova.

O Campeonato de Portugal de Ralis prossegue, assim, algo “coxo” nesta quarta prova da temporada. Não por culpa da organização do Rali de Castelo Branco, que tem mantido o nível de qualidade que lhe é reconhecido, mas pelas contingências criadas por uma decisão da FPAK que acabou por retirar competitividade e protagonismo a uma prova que merecia outro contexto desportivo.

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